Empresas encaram o lixo como novas oportunidades

Publicado em 14/11/2017 por DCI

14/11/2017 - 05h00

Empresas encaram o lixo como novas oportunidades

Arueira Ambiental mostra a shopping centers e até escolas como podem reaproveitar todo resíduo, inclusive orgânico, e obter ganhos com isso

O Shopping Eldorado já consegue reciclar quase 40% do seu lixo
O Shopping Eldorado já consegue reciclar quase 40% do seu lixo
Foto: Divulgação

São Paulo - O que um shopping center e uma escola têm em comum? Aparentemente nada, mas dois projetos de reciclagem, utilizando resíduos gerados nesses estabelecimentos, vem sendo implantados com ajuda da empresa especializada em gestão de resíduos Arueira Ambiental, que tenta mostrar às companhias que o lixo que ninguém quer pode virar um bom negócio, com soluções sustentáveis.

Jovem, nasceu em 2015, a empresa é fruto da união de um engenheiro agrônomo, Rui Signori, e um administrador de empresas, André Mantovani. O primeiro projeto foi atender a demanda do Shopping Eldorado, na Zona Oeste de São Paulo, e ajudar a implementar seu programa de gestão de resíduos, capacitando até os funcionários para separar o lixo orgânico do seco, destinando-os corretamente. Como resultado, mais de 35% dos resíduos vai para a reciclagem. O número é alto, considerando que, em grandes metrópoles, este índice é de 3%.

"Reciclar resíduos como plástico e lata é fácil, mas a praça de alimentação do shopping gera um grande volume de lixo orgânico, que é mais difícil porque se degrada rapidamente", explica Mantovani. O desafio, segundo ele, foi criar um sistema de compostagem - transformação de resíduo orgânico em adubo - e depois dar uma função para isso, com implantação da horta, que fica no último andar do shopping.

"A princípio era só um canteirinho, mas hoje já chega a cinco mil metros quadrados. E toda a produção de verduras e legumes é oferecida aos funcionários do próprio shopping", explica o superintendente, Sérgio Nagai.

Mas não é fácil chegar a esse resultado. "É preciso uma mudança cultural muito grande, por isso a decisão tem de vir de cima para baixo", explica Mantovani, acrescentando que há muita resistência, especialmente na área operacional. "Muitos funcionários achavam que aquilo ia dar mais trabalho, para a separação, mas depois o projeto conquista a todos e eles vestem a camisa."

Atualmente a média do gasto é 50% a 75% menos com coleta de lixo. "Porque uma lata no lixo é só lixo, mas fora ela é reciclável. Por isso, tentamos mudar o jeito das empresas na hora de olhar para o resíduo", afirma o consultor.

Atualmente, já são oito estabelecimentos trabalhando em projetos junto com a Arueira em São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus, sendo vários shoppings. Além do Eldorado, dois projetos foram implantados nos empreendimentos corporativos Pátio Victor Malzoni e Infinity Tower, ambos localizados no Itaim Bibi, que abrigam o processo completo de reciclagem, incluindo a compostagem e a manutenção de uma horta subterrânea, cujos produtos são colhidos periodicamente pelos funcionários.

E não é só em estabelecimentos comerciais. No Colégio Dante Alighieri, o programa visa mais a questão educativa dos alunos, formando o novo cidadão consciente. Lá, mais de duas toneladas de resíduos são recicladas e o projeto também inclui horta. A participação é integrada ao currículo.

Legislação

Desde 2002, as leis do município de São Paulo prevêem que grandes condomínios corporativos, escolas, shoppings e demais estabelecimentos precisam contratar empresa de coleta específica para recolher o lixo local: esta regra vale para aqueles que produzem volume superior a 200 litros/dia ou os condomínios comerciais e mistos (empresariais e residenciais) que produzam mais de 1.000 litros/dia.

Ao investir em um projeto para transformar o resíduo orgânico em adubo e destinar corretamente o lixo reciclável, o que era despesa vira fonte de renda e de imagem positiva para o estabelecimento. "A redução do custo nem é o fator prioritário. Há gasto importante com treinamento dos funcionários. Mas o fundamental é fazer a coisa certa, dando destinação correta para o resíduo", explica o superintendente do Eldorado, acrescentando que é investido de R$ 15 mil a 20 mil por mês na operação.

Nos países desenvolvidos, o lixo quase não é mais lixo, tamanho o grau de reaproveitamento e, no Brasil, o tema ganha força com os marcos regulatórios, segundo Arueira.

Estatística

No geral, a composição do lixo descartado pelos estabelecimentos em todo o País é dividido assim: 57,41% de matéria orgânica (sobras de alimentos, alimentos deteriorados, lixo de banheiro), 16,49% de plástico, 13,16% de papel e papelão, 2,34% de vidro, 1,56% de material ferroso, 0,51% de alumínio, 0,46% de inertes e 8,1% de outros materiais.

Anna França

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