Enófilo que trocou o mercado financeiro por vinhos colhe resultados

Publicado em 09/10/2017 por O Globo

Deodonio Macedo ergue taça com sua bebida que é sua 'paixão' - Berg Silva / Agência O Globo

NITERÓI - Na mitologia romana, o Cupido, deus do amor, é sempre retratado com um arco e flecha nas mãos. As pessoas acertadas por ele irradiam amor e paixão umas pelas outras. É esse o espírito que moveu o enófilo Deodonio Macedo 20 anos atrás. Ele largou o emprego de auditor no mercado financeiro, dedicou-se com afinco ao estudo do vinho e há cinco anos busca despertar o sentimento pela bebida entre os niteroienses. Um dos frutos dessa dedicação veio há duas semanas: seu bistrô, o Grand Cru, que oferece cerca de 1.800 rótulos em Icaraí, levou o prêmio Água na Boca de melhor local para apreciar vinhos na cidade.

- O vinho sempre foi um hobby para mim, mas um dia resolvi me dedicar exclusivamente a ele. Fiz sete anos de formação básica na Associação Brasileira de Sommelier e continuo aprendendo até hoje - considera.

Assim que decidiu embarcar nessa paixão, Macedo fundou a importadora Grand Cru e passou a trazer rótulos especiais para o país. Depois de experiências em Curitiba e Florianópolis, montou o seu bistrô em Niterói. Atualmente, o local oferece 950 vinhos exclusivos. O objetivo do enófilo é tornar a bebida cada vez mais popular na cidade.

- Nossa filosofia é desmistificar essa ideia de que vinho é uma coisa elitizada. Para ser elegante não é preciso ser elitizado. Basta ser educado que você já é uma pessoa elegante - diz Macedo.

Para estreitar a relação das pessoas com os vinhos, Macedo revela que o conhecimento é fundamental. Três vezes por ano, o importador viaja de férias para descansar, mas sempre vai a locais com cultura forte ligada ao vinho. Segundo ele, o segredo para fisgar as pessoas não são o arco e flecha, mas uma lição aprendida com o compositor Tom Zé, que diz: "Eu tô te explicando pra te confundir. Eu tô te confundindo pra te esclarecer".

- Muita gente quer saber o meu vinho preferido. Mas o melhor vinho para ela não é o mesmo que para mim. E a maior parte das pessoas tem dificuldades de expressar o que gosta. Quando isso ocorre, faço perguntas para confundir o cliente, que acaba soltando coisas que me ajudam na hora da indicação - conta.