Exportações crescem 28% e acumulam US$ 1,47 bilhão

Publicado em 10/10/2017 por Jornal O Estado do Ceará

O comércio exterior do Ceará registra mais um mês de expansão em 2017. As exportações cearenses, em setembro, apresentaram um crescimento de 16,7% em relação a agosto, sendo o terceiro melhor resultado do ano em termos de valores (US$ 182,6 milhões).

O desempenho do mês é 28% superior no comparativo com setembro de 2016, quando foi exportado US$ 142,8 milhões. Trata-se da 14ª alta mensal consecutiva em comparação com o ano anterior, segundo o estudo Ceará em Comex, produzido pelo Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado (Fiec).

Em menor proporção, as importações cearenses também somaram um aumento sobre agosto, de 0,7%. Foi o mês com o segundo maior montante de 2017, com US$ 214,3 milhões, atrás apenas dos US$ 251,9 milhões registrados em março. O crescimento é ainda mais expressivo ao comparar com o mesmo período de 2016, com variação de 16,0%. Como resultado dessas movimentações, a balança comercial cearense registrou um déficit de US$ 31,5 milhões em setembro.

Déficit menor
Observando o comportamento da balança comercial do Estado, no acumulado do ano, as vendas externas cearenses alcançaram a cifra de US$ 1,47 bilhão - alta de 77,2% quando comparado com 2016. No sentido inverso, as compras do exterior atingiram US$ 1,74 bilhão - queda de 42,3%. O resultado final de tais trocas comerciais resultou em um saldo negativo de US$ 277,2 milhões na balança cearense em 2017. Apesar de negativo, o valor representa uma redução do déficit em 87,4% em relação a 2016, quando as importações superaram as exportações em US$ 2,19 bilhões.

Os resultados das trocas comerciais do Ceará influenciaram a balança comercial do Nordeste no acumulado do ano, onde o peso das vendas externas do Ceará avançou de 8,83% (em 2016) para 11,80% (em 2017), e das compras do exterior caiu de 21,53% (ano passado) para 12,03% (atual). Em relação à participação na balança comercial do Brasil, as vendas externas do Estado apresentaram alta, de 0,59% para 0,89%. Em contrapartida, a participação das compras do exterior regrediu de 2,93% para 1,57%.

O Ceará posicionou-se em 2017 na décima quarta colocação no ranking dos estados exportadores brasileiros. Em termos de indicadores de crescimento, o Ceará registrou a quarta maior alta percentual no país com 77,2%, acima da média nacional, de 18,1%.

Municípios
Conforme o levantamento, com relação aos dez principais municípios exportadores do Ceará, seis apresentaram queda nas vendas externas sobre o ano anterior. Vale o destaque para o município de São Gonçalo do Amarante, que lidera a lista com US$ 775,6 milhões (aumento de 1.236,6%), representando mais da metade da pauta exportadora do Estado. As exportações da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) impactam diretamente no resultado positivo do referido município. Fortaleza vem em segundo no ranking, exportando US$ 117,5 milhões (redução de 4,1% sobre 2016). Caucaia, Cascavel e Eusébio exibiram as maiores retrações, respectivamente de 43,3%, 25,5% e 23,4%.

Examinando o ranking dos principais setores exportadores do Ceará, "ferro fundido, ferro e aço" segue liderando a lista, com aumento de 1.591,8% sobre 2016 (saindo de US$ 43,8 milhões para US$ 740,3 milhões). Novamente constata-se a importância da CSP no perfil das exportações cearenses. Ainda como destaque, registra-se o aumento de 142,5% no setor de "Combustíveis, óleos minerais e produtos da sua destilação".

Em sentido contrário, "Máquinas, aparelhos e materiais elétricos"; "Frutas (incluindo castanha de caju)"; e "Algodão, fios e tecidos de algodão" registraram as maiores quedas, respectivamente de 63,1%; 40,8%; e 29,8%.

Os itens originários da CSP, classificados como "outros produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado, de seção transversal retangular", sofreram um aumento superior a 1.800 pontos percentuais em relação a 2016 e representam quase a metade das exportações do Estado (718,6 milhões). Vale destacar a concentração da pauta exportadora do Estado em laminados de ferro/aço, calçados e castanha de caju, ficando em menor escala, sucos (incluindo água de coco), couro/pele, GNL e cera de carnaúba.

Combustíveis lideram importações no ano
Em relação aos principais setores importados pelo Ceará, em 2017, os combustíveis e óleos minerais lideram a lista, com US$ 682 milhões - 82,5% acima do registrado no mesmo período do ano passado, segundo o levantamento da Fiec. Outros destaques dizem respeito aos elevados aumentos nas participações de ferro fundido, ferro e aço; produtos diversos das indústrias químicas; e algodão, tecidos e fios de algodão - respectivamente em 237,6%, 81% e 77,3%, se comparados com 2016. O setor de máquinas, aparelhos mecânicos e suas partes registrou queda de 91,6% em virtude, em sua grande parte, do início das operações da CSP e fim das importações de maquinários para a companhia.

As importações cearenses por produtos (NCM) mostram que as compras de hulha betuminosa, não aglomerada, é a primeira do ranking, com um valor importado de US$ 381,9 milhões. O produto que apresentou o maior crescimento percentual de 31.855%, foram os laminados planos, de ferro ou aço não ligado, folheados ou chapeados, galvanizados por outro processo, resultando na importação de US$ 31,4 milhões.

O estudo aponta que a China é atualmente o principal parceiro das importações do Estado em 2017, exportando para o Ceará um valor de US$ 304,7 milhões - apesar do decréscimo de 26,4% em relação a 2016. Grandes aumentos foram registrados nas importações oriundas da Austrália (183,4%), Nigéria (112,8%), e Moçambique (778,6%).