Fitch vê cenário melhor para ratings em 2018

Publicado em 09/01/2018 por Valor Online

Uma onda de otimismo trouxe os mercados globais de crédito para o melhor momento desde a crise financeira de 2008, afirmou a Fitch Ratings, em seu Relatório de Perspectivas Globais, referente a dezembro de 2017. Em número, há a expectativa de que os "upgrades" de classificação de dívida soberana e corporativa superem os rebaixamentos neste ano - uma prova de um divisor de águas no cenário pós-crise. No curtíssimo prazo, portanto, "a tendência dos ratings é a mais otimista em uma década, com perspectivas positivas superando em número as negativas", afirma a agência. "O saldo médio líquido das perspectivas em todos os setores se tornou globalmente positivo pela primeira vez desde a crise financeira, em +1,1% em 30 de novembro de 2017, ante -7,9% no início do ano." Mas este viés otimista vem junto com uma preocupação, já que "ocorre quando o mundo está prestes a atingir o pico de crescimento no ciclo atual". Ou seja, à medida em que as injeções de liquidez no âmbito dos programas de expansão quantitativa ("QE") sejam reduzidas até serem findas, que as políticas monetárias sejam normalizadas (o que pressupõe alta de juros nos países desenvolvidos) e as incertezas políticas cresçam com a proximidade de eleições importantes pelo globo, os riscos tornarão a crescer. Pelo tom da Fitch, a leitura é que uma janela está aberta neste momento, mas não necessariamente esse cenário se sustentará mais à frente. Nesse momento de boas perspectivas, se enquadram o ainda vigoroso crescimento econômico, as políticas monetárias e fiscais bastante favoráveis e os preços de commodities mais estáveis. A Fitch espera que o crescimento global alcance 3,3% em 2018, impulsionado pelo aumento do investimento. Para além deste ano, no entanto, as reversão destas condições deve fazer com que haja moderação no desempenho do PIB. O fim dos "QEs" pode exercer pressão sobre os títulos soberanos, já que a dívida pública é elevada em muitos países, alerta a agência. "Os bancos podem estar expostos a problemas de qualidade de ativos após o longo período de crédito barato, com risco de desinflação dos altos preços de imóveis em alguns países, de acordo com que o ciclo das taxas de juros mude." No setor corporativo, continua a Fitch, o emissor de mercados emergentes poderia ser desafiado pela reversão dos fluxos de capitais, mas é provável que os mercados desenvolvidos lidem com isso bastante bem. "No entanto, certos subsetores enfrentam a pressão de classificação por motivos idiossincráticos, como o varejo tradicional nos EUA e na Europa." Além disso, a Fitch enfatiza que sua visão vem no contexto de anos de enfraquecimento de ratings: a participação das instituições financeiras com classificações entre "AAA" e "A", por exemplo, atingiu 37% no fim de novembro, em comparação com 54% antes da crise. As áreas geográficas com viés negativo para ratings soberanos são Oriente Médio, África, China e América Latina. Em particular, a Fitch sinalizou a incerteza criada pelas próximas eleições no México e no Brasil, e que a América Latina é a região mais fraca para as perspectivas de rating corporativo.