Fundo compra área de sementes da Dow

Publicado em 04/12/2017 por DCI

04/12/2017 - 05h00

Fundo compra área de sementes da Dow

São Paulo - O fundo chinês Citic Agri concluiu a compra do negócio de sementes de milho da Dow Agrosciences no Brasil por US$ 1,1 bilhão. A unidade passa a se chamar LP Sementes.

A venda foi anunciada pela empresa de proteção de cultivos e sementes em julho deste ano e dependia da aprovação dos órgãos antitruste. O negócio era uma exigência para a conclusão da fusão entre a Dow e DuPont, que foi finalizada em setembro deste ano.

A aquisição inclui quatro unidades de produção de sementes de milho, quatro centros de pesquisa, uma cópia do banco de germoplasma de milho da Dow Agrosciences e a licença para o uso da marca Dow Seeds por 12 meses e da marca Morga, além de alguns híbridos comerciais. Juntas, as áreas geraram receita de R$ 287 milhões em 2016.

Ainda segundo a empresa, a divisão de agricultura da DowDupont ficará com o banco brasileiro de germoplasma da Dow Agrosciences e os demais locais de produção e centros de pesquisa. "Com a conclusão deste desinvestimento, a DowDupont está evoluindo com um portfólio abrangente e equilibrado e um pipeline robusto de soluções inovadoras em sementes e agricultura digital", informou a companhia por meio de nota.

Chineses

O Cetic Agri tem cerca de US$ 2,65 bilhões para possíveis aquisições após o pagamento do valor negociado com a Dow, disse à agências Reuters o gerente-geral do Citic Agri, Shi Liang. O fundo chinês é parcialmente controlado pelo conglomerado chinês Citic e caberá à sua subsidiária de sementes, Yuan LongPing High-tech Agriculture, gerir o novo negócio no Brasil.

De acordo com Shi, as áreas visadas pelo fundo para investimento incluem genética animal e produtos veterinários, como vacinas e de proteção de culturas. Mas não há negociações com possíveis alvos no momento, disse ele.

A negociação se dá em um momento em que há uma onda de investimento chinês no Brasil, uma vez que as empresas locais procuram parceiros para melhorar sua estrutura de capital após a recessão mais dura do País. Outro exemplo é a Syngenta, que também atua no segmento de proteção de cultivos, e foi adquirida em 2016 pela ChemChina por US$ 43 milhões.

As empresas chinesas investiram US$ 14 bilhões em negócios no Brasil nos primeiros nove meses de 2017, já o segundo melhor ano desde que o governo brasileiro começou a monitorar os aportes chineses no Brasil, em 2003.

Segundo o CEO da LongPing, Zhang Xiukuan, a empresa planeja expandir o negócio de sementes no Brasil e procura impulsionar as vendas de sementes de milho para Paraguai e Argentina, onde a empresa já possui operações.

Marcela Caetano e Agências

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