Uma ilha está se formando no centro do Rio São Francisco: revitalização fracassa

Publicado em 09/10/2017 por Gazeta Norte Mineira

Na edição de 15 de agosto do ano passado, destacamos aqui a assinatura do decreto presidencial, assinado por Michel Temer, que institui o Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, com o objetivo de promover a recuperação do maior rio totalmente brasileiro e de seus afluentes.

Mais de um ano depois nada avançou, pelo contrário, o rio tem sofrido com as agressões humanas e com os efeitos da longa estiagem a ponto de uma grande ilha estar se formando bem ao centro do leito, localizada na divisa entre Pedras de Maria da Cruz e Januária, cerca de 600 metros acima da ponte que liga esses dois municípios.

A Comissão do Meio Ambiente do Senado realizou audiência pública, na terça-feira (3), a pedido do senador Cidinho Santos (PR/MT). A sessão contou com a presença do secretário de Controle Externo da Agricultura e do Meio Ambiente do Tribunal de Contas da União, Junnius Arifa, que destacou auditoria realizada pelo TCU no Programa de Revitalização da Bacia do Rio São Francisco em 2012, que identificou problemas na coordenação do programa além de deficiências de ações de recuperação e controle de erosões com o objetivo de evitar o assoreamento e redução da navegabilidade.

Com o decreto assinado em 2016, o Governo Federal colocou o programa sob coordenação da Casa Civil, o que é positivo na avalição do secretário. Segundo ele: "é um grande avanço, em 15 anos o comitê nunca havia se reunido. Agora, com a coordenação de um ente com uma visão mais sistêmica, o Comitê de Gestão tem toda a condição de dar efetividade ao programa de revitalização". Já Oscar Netto, professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília, chamou atenção para a necessidade de incentivar a participação social na execução dos programas de revitalização.

Há tempos o Rio São Francisco vem sofrendo com a falta das chuvas, em diversos pontos do trecho já não oferece mais condições de navegação e a vazão da água tem sofrido baixa considerável, o que tem trazido diversos problemas para o povo ribeirinho da região do Médio São Francisco. O Velho Chico vem dando sinais mais intensos a cada ano da sua agonia e as ações tão esperadas pelos efeitos do decreto nada tem contribuído para recuperação do rio. (RS)