Índice de Clima Econômico no Brasil é o melhor em 4 anos, aponta FGV

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

RIO - O indicador de clima econômico no Brasil disparou em outubro e atingiu o maior patamar em quatro anos. É o que mostra a pesquisa trimestral "Sondagem Econômica da América Latina", da Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com o instituto alemão Ifo. No levantamento, o Índice de Clima Econômico (ICE) do país subiu 32,7 pontos e passou de 59 pontos para 91,7 pontos entre a sondagem de julho e a de outubro deste ano. Embora ainda seja inferior a 100 pontos, o que coloca o clima econômico brasileiro em zona desfavorável e esteja abaixo da média histórica de dez anos para o país (93,9 pontos), esse é o maior patamar do ICE brasileiro desde outubro de 2013 (93 pontos). O indicador vai até 200 pontos, e 100 é seu ponto neutro. Ele serve para monitorar e antecipar tendências econômicas, com base em informações prestadas trimestralmente por especialistas. Uma combinação favorável de melhora de indicadores macroeconômicos internos, como atividade industrial, e um cenário externo mais favorável, com retomada nos preços das commodities, levou ao resultado, segundo a pesquisadora da fundação, Lia Valls. Embora tenha classificado como positivo o desempenho, a especialista fez uma ressalva: as incertezas que ainda persistem no cenário político levantam dúvidas quanto à sustentabilidade da trajetória de alta do indicador. Lia comentou que, de julho para outubro, a agenda macroeconômica do país apresentou sinais evidentes de melhora, e isto foi notado pelo mercado. Ela lembrou que alguns analistas já não descartam crescimento de 3% no PIB do país em 2018. Pelo lado externo, a melhora nas projeções de crescimento na economia mundial, commodities em alta e perspectiva mais favorável em países vizinhos, como na Argentina, por exemplo, elevaram o humor dos analistas em relação ao Brasil. No entanto, ela comentou que o ambiente político ainda é considerado de grande importância para definir se este aumento do clima econômico do país irá continuar. A especialista lembrou que a corrida presidencial de 2018 dá sinais de que será muito fragmentada, com muitos candidatos e pouca clareza em relação à condução de política econômica de cada um deles. Ao ser questionada se o cenário de presidenciáveis estaria mais claro em janeiro, próxima edição da sondagem, ela teve dúvidas. "O problema do ano que vem é político. Não temos muita clareza como vai ser [o cenário de corrida presidencial]", afirmou. Outro aspecto mencionado por ela é que, apesar do aumento, o Brasil continua com problemas de entrave ao crescimento que são de difícil resolução. Na sondagem, os analistas foram questionados sobre quais seriam os principais entraves ao crescimento econômico brasileiro. O dois mais citados foram infraestrutura inadequada e corrupção, notou Çia. Ou seja: não são desafios que se resolvam em espaço curto de tempo, apontou. "Em termos econômicos, o resultado [do clima econômico] foi positivo. Mas por ser fragmentada, a eleição presidencial confere um cenário de incerteza, onde temos também estes fatores que atrapalham o crescimento", observou. Assim, para a pesquisadora, ainda não é possível dizer se a trajetória de alta do indicador até outubro vai prosseguir nos próximos meses. Leia também: Clima econômico melhora no Brasil e na América Latina