Indústria alimentícia e sociobiodiversidade

Publicado em 05/12/2017 por DCI

05/12/2017 - 05h00

Indústria alimentícia e sociobiodiversidade

O papel das empresas do setor na conservação dos biomas e dos povos tradicionais do Brasil

- Dono da maior biodiversidade do planeta, o Brasil abriga mais de 20% das espécies da flora e fauna terrestres. Engana-se, porém, quem pensa que toda essa riqueza se restringe aos fatores naturais: o País possui também cerca de 200 povos indígenas e diversas comunidades tradicionais que atuam em harmonia com a floresta para garantir sua sobrevivência, como seringueiros, caiçaras, quilombolas, extrativistas, ribeirinhos, pescadores e agricultores familiares.

Foi desse convívio harmonioso que surgiu o conceito de sociobiodiversidade, que define a relação das cadeias produtivas das florestas com os povos tradicionais da região. O objetivo é conservá-las e, ao mesmo tempo, fazer o uso sustentável dos produtos da biodiversidade - muitos deles, utilizados pela indústria alimentícia.

Para citar alguns exemplos, podemos destacar as manteigas e os óleos obtidos a partir de frutos e sementes como o cupuaçu, a castanha-do-Brasil, o coco licuri, o açaí e o maracujá. Estas matérias-primas podem ser acrescentadas em receitas tradicionais do dia a dia para fazer pães, bolos, cookies, molhos e maioneses, em busca de fortificar nutricionalmente os alimentos, além de proporcionar sabores exclusivos.

No entanto, nesse contexto de sociobiodiversidade, qual é o papel das empresas do setor alimentício? Certamente, não se resume a fazer o uso de ingredientes naturais na composição de produtos finais nem à preocupação com a saudabilidade que podem oferecer, mas sim a um fator importantíssimo: a forma como os insumos são coletados na natureza.

Outra questão relevante é a parceria direta com as comunidades locais, geralmente responsáveis pelo plantio, pela colheita e pela coleta dos frutos. Manter essa forma de atuação, além de conservar os biomas, faz com que os produtores locais tenham um trabalho, uma fonte de renda justa e digna. E, mais que isso, faz com que descubram o verdadeiro valor da floresta viva.

Frente a esse raciocínio, só temos uma conclusão: cada vez mais, as indústrias do setor alimentício no País precisam considerar os fatores sociais e ambientais em suas estratégias de atuação, com soluções inovadoras, viabilidade econômica e com a compreensão da sua importância no movimento de conservação da sociobiodiversidade brasileira.

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especialista em sustentabilidade da Concepta Ingredients

Thaís Hiramoto

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