Investidor realiza lucro e Ibovespa cai 0,65%

Publicado em 10/01/2018 por DCI

O Ibovespa operou em queda ontem, em uma sessão marcada pela realização de lucros após valorizar por 11 pregões consecutivos. Na última hora do pregão, as perdas aceleraram, levando o índice da bolsa a fechar em 0,65% de queda, aos 78.863,53 pontos.

Foi uma sessão de negócios descolada do sinal positivo vindo dos mercados acionários externos com os índices de Nova York subindo de maneira consistente.

De acordo com analistas, a correção ocorre porque, desde o início de 2018, a bolsa brasileira foi a que acumulou mais ganhos em relação a seus pares dos Estados Unidos. Entre os dias 2 de janeiro e esta terça, em dólares, o Ibovespa ganhou 5,53% enquanto Dow Jones, 2,77% e S&P500, 3,16%.

Diferentemente dos outros pregões desde o início de ano, houve, segundo operadores, um equilíbrio de forças no volume de recursos de não-residentes e investidores nacionais, com mais estrangeiros na ponta vendedora do que compradora. Ainda assim, o giro financeiro foi de R$ 9,2 bilhões, considerado alto para a segunda semana de janeiro.

De acordo com Raymundo Magliano Neto, diretor-presidente da Magliano Invest, a elevação do rendimento do título do Tesouro norte-americano a vencer em dez anos explica, em parte, a realização de uma parcela de estrangeiros.

"Isso ajuda no contexto de um dia que precisava realizar um pouco, após tantos recordes", afirmou. "Estávamos vendo uma euforia grande e era necessário esfriar um pouco, sem, entretanto, mudar a trajetória futura", afirmou.

Fabrício Estagliano, analista-chefe da Walpires Corretora, diz que a queda ocorreu sem nenhuma notícia de impacto. "Claro que há cenário político em pauta, que continua sendo discutido pelos investidores que seguem na expectativa de alguma novidade", disse.

Estagliano ressalta que todas as blue chips do setor financeiro devolveram os ganhos acumulados desde o primeiro pregão.

No plano das commodities, as cotações dos contratos futuros de petróleo indicaram forte alta durante toda a tarde de ontem e ajudaram a impedir a queda maior das ações ON e PN da Petrobras, que encerraram o pregão, respectivamente, em baixa de 0,11% e estável (0%) em relação ao fechamento de segunda-feira. Já os papéis com direito a voto da mineradora Vale (ON), com recuo de 0,37%, descolaram da alta do minério de ferro no exterior, que abriu valorizado no Porto de Qingdao, na China.

Sinais externos

Após a volatilidade registrada nas primeiras horas de negociação de ontem, o cenário externo prevaleceu e o dólar se valorizou ante o real pelo segundo dia seguido. A alta foi influenciada pelo movimento de realização de lucros na bolsa, e ocorreu mesmo após os contratos de petróleo terem acelerado os ganhos.

"O que aconteceu no mercado doméstico nesta terça é uma reversão: nos últimos pregões, investidores estrangeiros compraram ações e, agora, aproveitaram para embolsar os ganhos, promovendo a saída de dólares", afirmou destacou Durval Correa, diretor da mesa de câmbio da MultiMoney.

O dólar à vista fechou em alta de 0,30%, a R$ 3,2479. O giro foi de US$ 1,133 bilhão. Na mínima, chegou a R$ 3,2302 (-0,25%) e, na máxima, alcançou R$ 3,2556 (+0,53%). No mercado futuro, o dólar para fevereiro subiu 0,22%, a R$ 3,258. O giro foi de US$ 15,134 bilhões. /Estadão Conteúdo