Investidor de varejo aposta em alta de bitcoin e fundo hedge, em queda

Publicado em 09/01/2018 por Valor Online

Pequenos investidores de varejo estão apostando que os preços do bitcoin vão subir, enquanto grandes fundos hedge e outros investidores importantes acreditam que a criptomoeda vai perder valor. Esse é o padrão que surge após algumas semanas da estreia dos futuros de bitcoin, lançados no mês passado pela Cboe. Para operadores com menos de 25 unidades do contrato de bitcoin, as apostas de alta são 3,6 vezes maiores do que as de queda, segundo dados recentes da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês). Enquanto isso, os grandes investidores tendem a apostar na queda do bitcoin. Na categoria "outros" - grandes instituições que não gerem dinheiro de investidores externos -, as apostas de queda são 2,6 vezes maiores que as de alta. Entre os fundos hedge, as apostas de queda superam as de alta em 40%. Os contratos têm sido muito pouco negociado por bancos e gestoras. Seja como for, esses dados parecem corroborar as análises de como pequenos e grandes investidores veem o bitcoin. Impulsionada pela compra de investidores de varejo de todo o mundo, a criptomoeda teve um salto extraordinário no ano passado, com alta de 1.330%. Enquanto isso, muitas instituições financeiras tradicionais se mostram céticas sobre o rali da moeda digital. Grandes nomes de Wall Street já chamaram o bitcoin de bolha. "Provavelmente há mais otimismo no segmento de varejo do que entre os investidores institucionais", afirma Steven Sanders, vice-presidente-executivo da Interactive Brokers, corretora eletrônica que oferece a seus clientes acesso aos futuros de bitcoin. Ter uma posição vendida em futuros de bitcoin não significa que o investidor acredita necessariamente que a criptomoeda vai cair. Uma empresa que negocia bitcoin e tem um grande estoque pode assumir uma posição vendida para se proteger contra uma queda, por exemplo. Uma posição vendida também pode fazer parte de uma estratégia mais sofisticada, como por exemplo apostar que outras criptomoedas podem subir mais do que o bitcoin. O etherium já dobrou de valor desde dezembro e na semana passada superou US$ 1 mil pela primeira vez. "Com os dados da CFTC, não dá para observar o mercado como um todo", diz James Koutoulas, executivo-chefe do fundo hedge Typhon Capital, que negocia bitcoins e commodities. Ele aponta que seu fundo operou bastante nas últimas semanas, oscilando entre posições compradas e vendidas em bitcoin. Além disso, os contratos da Cboe são menores do que os lançados pela rival CME Group, por isso tenderiam a atrair mais investidores de varejo. A CFTC ainda não divulgou os dados de negociação dos futuros de bitcoin da CME. Os volumes de negociação nas duas bolsas têm sido pequenos, comparados com o mercado spot de bitcoin. Os contratos em aberto somam US$ 150 milhões, enquanto a capitalização de mercado do bitcoin em si está em torno de US$ 290 bilhões, segundo dados da coinmarketcap.com. O número de contratos negociados por dia também caiu bastante após o estardalhaço no primeiro dia de lançamento. Isso se deve, em parte, à relutância dos grandes bancos de aderir à negociação. J.P. Morgan e Bank of America não oferecem o contrato aos seus clientes.