Itaú lidera indicações em mês com mix setorial diversificado

Publicado em 04/12/2017 por Valor Online

Peretti, da Santander Corretora: inclusão de papel defensivo na carteira O setor financeiro, que já chegou a ser dominante na Carteira Valor neste ano e começou 2017 com cinco representantes, fecha o último mês do calendário com apenas uma opção. Itaú Unibanco PN segue, porém, como a preferência das corretoras participantes com 5 indicações, enquanto Banco do Brasil e B3, que apareciam no top 10 até novembro, deixaram a seleção. O mix ainda inclui as "blue chips" ligadas diretamente à cadeia de commodities, com Petrobras PN (3) e Vale ON (2), ações de infraestrutura, caso de Braskem PNA (3), Rumo (3) e Gerdau (2), além de companhias que podem se beneficiar da reação da atividade doméstica, com BR Malls ON (2) e CVC Brasil ON (3). Entre as opções consideradas defensivas estão Taesa (2), em parte pelo apelo dos dividendos, e Ultrapar (2), boa geradora de caixa e que consolida cinco negócios, entre eles a distribuição de combustíveis com os postos Ipiranga. Resultados consistentes, qualidade de gestão e rentabilidade acima de seus pares justificaram a manutenção de Itaú na carteira recomendada pela Rico Corretora, segundo o analista-chefe Roberto Indech, enquanto para o analista Philip Soares, da Ativa, a estratégia do banco no setor tem se provado adequada. "Não está barato, mas como tem retorno sobre equity [capital] alto, se justifica. Colocamos como um pedaço da parcela mais segura da carteira", afirma. Itaú é o papel de maior peso no Ibovespa e praticamente não há dissenso quanto ao bom desempenho operacional e a eficiência da gestão, acrescenta o estrategista de renda variável para pessoa física da Santander Corretora, Ricardo Peretti. "O mercado se convenceu que é uma ação que tem que se ter na carteira e é a nossa 'queridinha' também", diz. Petrobras, mesmo depois da melhora da governança conquistada com a gestão de Pedro Parente no comando da estatal, ainda não teve seu valor plenamente reconhecido pelo mercado, segundo Marco Saravalle, analista da XP Investimentos. "É um dos principais papéis [do pregão] e que performou aquém das expectativas. Juntando isso com os resultados, a geração de caixa forte e toda a sinalização em termos operacionais o papel continua muito descontado", diz. O especialista cita que o processo de desalavancagem da empresa com a venda de ativos foi mais lento do que o esperado, mas agora as expectativas se voltam para a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da BR Distribuidora. "A nota [de crédito] da empresa pode melhorar, ela deve captar mais barato e gerar mais lucro e aí vai ser reprecificada", afirma. Peretti, da Santander Corretora, vê na extensão do acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para seguir cortando a produção até dezembro do ano que vem como um suporte para os preços do barril do óleo, referência para a política tarifária da estatal brasileira. A alta do preço do minério de ferro em novembro, por sua vez, foi uma das justificativas para a escolha de Vale pela Rico, de acordo com Indech. Foi também uma forma de fugir um pouco da cena doméstica, já que se trata de uma grande exportadora. "Assim minimizamos um pouco os eventuais impactos de uma não aprovação da reforma da Previdência", diz. A BB Investimentos, por sua vez, destacou projetos da atual gestão, como a parceria que a Vale busca em sua mina de níquel de Nova Caledônia e a conclusão do projeto de mineração S11D, no Pará. Isso pode representar um reforço à geração de caixa, além de um menor volume de investimentos, incremento de vendas e um custo de caixa mais favorável. Rumo está entre as escolhas da XP e da Rico, sob a expectativa de uma boa safra agrícola no ano que vem. A possibilidade de extensão dos contratos com a malha paulista e da aprovação de uma linha de crédito do BNDES também foram citadas pelos analistas. Gerdau, indicada por XP e Ativa, aparece como uma alternativa para proteger as carteiras da possível volatilidade proveniente das incertezas no cenário interno. Embora tenha exposição à construção civil doméstica, a empresa tem uma planta nos Estados Unidos. A expectativa de Saravelle, da XP, é que o segmento mostre mais força no mercado americano pela reação que esboça depois de anos de estagnação. "A construção tem outra metodologia nos Estados Unidos, então a dependência do mercado americano é mais relacionada à infraestrutura, portos, rodovias, e foi o segmento que não se recuperou desde a crise de 2008. Então, há uma expectativa que o setor retome lá fora", afirma. Além de reforçar que a Gerdau não depende tanto da receita interna, Soares, da Ativa, destaca a estabilidade e diversificação da empresa, além da flexibilidade em controlar a oferta em caso de necessidade. "A companhia tem uma estrutura de produção que consegue desligar com facilidade porque são plantas pequenas. É diferente de Usiminas, que para fechar unidade produtiva é muito custoso", diz. Braskem apareceu na seleção da Guide Investimentos, sob a leitura de que tem mostrado boa performance operacional mesmo diante da atividade econômica ainda fraca no Brasil e porque vem apresentando contínuo ganho de eficiência. As perspectivas para 2018 são positivas, com avanços das margens e redução do endividamento. O programa de redução de custos também foi citado, o que permitiu melhorar a competitividade da companhia. Além disso, a petroquímica vem ganhando participação no mercado interno num momento de recuperação da demanda e tende a manter os fortes resultados da operação no exterior. Ações ligadas a commodities, infraestrutura e a mercado doméstico compõem indicações No mix de mercado doméstico, a BR Malls aparece na lista no lugar das varejistas que costumavam figurar nas seleções anteriores. Para Soares, da Ativa, a operadora de shopping center pode se beneficiar da sua atuação mais voltada para o público de baixa renda, que está voltando a consumir. O papel também está mais descontado em comparação a outras companhias típicas de varejo. Para a Bradesco Corretora, a escolha de BR Malls veio atrelada à retomada do consumo das famílias e ao ciclo de afrouxamento monetário. São fatores que têm sido a "principal justificativa para o crescimento dos resultados auferidos pelas empresas do setor". A perspectiva de um novo corte na Selic, na reunião do Copom desta semana, também pode influenciar positivamente as ações, que são o ativo de maior liquidez dentro do setor. No ramo de varejo, a Santander trocou Lojas Americanas - com resultados decepcionantes no terceiro trimestre e uma desvalorização de 23% nos dois últimos meses - por CVC. Peretti diz que CVC não é exatamente uma alternativa barata no pregão. O papel já se valorizou mais de 90% neste ano e tem sido negociado com uma relação preço/lucro (P/L, múltiplo que representa o prazo estimado de retorno do investimento) de 18,5 vezes, ante um histórico de 15 a 16 vezes. "A impressão é que o mercado acordou para a resiliência do negócio e o operacional da empresa", diz. "A operadora de turismo fez duas aquisições de empresas de porte médio e está jogando para o balanço dela, tem um balanço saudável para expandir." Sazonalmente, ele espera que a companhia tenha resultados melhores no quarto trimestre, comparativamente ao mesmo período do ano passado, diante de um ritmo melhor de atividade econômica. A inclusão de Taesa na seleção da Santander, por sua vez, teve o objetivo de adicionar um papel defensivo, segundo Peretti. Com a proximidade da virada do ano e sem pistas sobre qual será o desfecho para a reforma da Previdência, a ideia foi adicionar um ativo que pudesse ser mais resistente se o movimento de venda dos dois últimos meses na bolsa prosseguir. A opção foi por uma empresa de transmissão, cujas receitas não estão vinculadas às condições hidrológicas. "Foi uma maneira de ficar exposto ao setor de energia sem depender do nível de chuvas, já que a companhia ganha pela disponibilidade das linhas." Passada a venda da participação de 10% da Cemig na empresa, a percepção é que a ação também ficou mais leve. Taesa também é um caso de dividendos com um retorno (o "dividend yield") projetado em 9,5% para 2018, ante 7,5% da Selic. "Isso quer dizer que a gente pretende manter o papel o ano todo? Talvez não", ressalva Peretti. Um potencial catalisador de curto prazo para o papel pode ser o leilão de linhas de transmissão previsto para 15 de dezembro. A Ultrapar completa a lista de indicações para dezembro e entrou na seleção da Ativa também pelo viés considerado defensivo, segundo Soares. "É uma empresa bem gerida, diversificada, tem sinergia e o preço caiu 10%."