Mortes: Paulista, foi embaixador do café brasileiro

Publicado em 12/01/2018 por Folha de S. Paulo Online

Se o café paulista foi esteio da economia brasileira durante décadas, há quem sentencie sua inviabilidade hoje em dia. Há tempos os preços baixos não fazem frente aos custos de produção e a cafeicultura migrou para Minas Gerais e Bahia -onde tampouco se voa em céu de brigadeiro.

Maurício Lima Verde só foi deixar de cultivar o produto há dois anos, não sem resistir. Ainda assim, seguiu sendo um dos homens-fortes da política cafeeira no Brasil.

"Quem é cafeicultor nunca larga de ser cafeicultor", diz o filho José Maurício.
Representante do setor privado do país na OIC (Organização Internacional do Café) e ex-vice-presidente da Faesp (Federação da Agricultura do Estado de São Paulo), atualmente dirigia o Sindicato Rural de Bauru (SP), onde vivia.

Paulistano, saiu da capital aos 18 anos, para estudar economia em Michigan, nos Estados Unidos. Quando voltou, casou-se e foi para a cidade que o abrigou durante o resto da vida, onde sua família tinha uma fazenda.

Com quase 50 anos de atuação em entidades de classe, era dono de uma cordialidade natural, bem-vinda na hora de negociar e articular os interesses de um setor em decadência econômica.

Uma das medidas que mais se orgulhava de ter implantado foi um programa do Senar (Serviço de Aprendizagem Rural), braço da Faesp, em que eram ministrados cursos em assentamentos para agregar valor à agricultura familiar. "Ele se preocupava muito com isso", diz o filho.

Morreu na última quarta (10), aos 81, devido a problemas no fígado. Deixa a mulher, dois filhos e cinco netas.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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