Nestlé lidera disputa para comprar divisão da Merck

Publicado em 11/01/2018 por Valor Online

Schneider, da Nestlé, vem fortalecendo negócios de vitaminas e suplementos A Nestlé, maior empresa mundial de alimentos, está emergindo como principal candidata a adquirir as operações da alemã Merck na área de produtos de consumo, como vitaminas e suplementos nutricionais, por até US$ 5 bilhões, após a desistência de outros interessados potenciais, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. A Nestlé apresentou a maior proposta e a empresa alemã provavelmente selecionará um vencedor no primeiro trimestre, disseram as pessoas, pedindo para não ser identificadas porque as discussões são confidenciais. Companhias como a Perrigo e as empresas de private equity Bain Capital e Cinven decidiram abandonar o processo, disseram as pessoas. Porta-vozes da Nestlé, Merck, Bain e Cinven não quiseram comentar. Um representante da Perrigo não respondeu aos pedidos de entrevista enviados por e-mail. Embora outras empresas, como Reckitt Benckiser e Mylan, estejam entre os interessados nos ativos, a Nestlé é considerada a líder até agora, disseram as pessoas. O executivo-chefe da empresa suíça, Mark Schneider, vem fortalecendo suas operações no setor de saúde, e no mês passado adquiriu a Atrium Innovations, fabricante canadense de suplementos, por US$ 2,3 bilhões. Uma porta-voz da Reckitt Benckiser não quis comentar. A Mylan, nos Estados Unidos, não respondeu ao pedido de entrevista. A unidade de produtos ao consumidor do conglomerado alemão de medicamentos - que gerou menos entusiasmo entre compradores potenciais do que um conjunto concorrente de ativos que a Pfizer colocou no mercado - poderá alcançar um preço entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões numa venda, disseram as pessoas a par das conversas. Nenhuma decisão final foi tomada e a Merck pode optar por manter a divisão. A Merck procura vender a subsidiária para concentrar recursos em seus negócios farmacêuticos. O conglomerado alemão disse que não terá dinheiro para reforçar a divisão de produtos de saúde ao consumidor e ao mesmo tempo testar novos medicamentos, como o Bavencio, de combate ao câncer. A empresa planeja usar a renda resultante de uma possível venda para pagar dívidas. Ao mesmo tempo em que está na linha de frente da disputa pela divisão da Merck, a Nestlé está perto de vender suas operações de confeitos nos Estados Unidos. A Ferrero, fabricante italiana da Nutella, negocia um acordo para adquirir o negócio, por cerca de US$ 2,8 bilhões, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto. Um acordo poderá ser assinado já no domingo, disse essa pessoa, pedindo para não ser identificada pois a informação é reservada. A subsidiária, que inclui as marcas Butterfinger e Baby Ruth, está sofrendo um declínio na receita e obteve faturamento de cerca de 900 milhões de francos (US$ 915 milhões) em 2016. A Ferrero, que tradicionalmente não realiza aquisições, está expandindo seu portfólio para além do creme de avelã Nutella, das balas Tic Tac e dos bombons Ferrero Rocher. Para a Nestlé, esse seria o primeiro importante desinvestimento promovido pelo presidente Mark Schneider e um passo inicial de distanciamento dos produtos de chocolate. Tanto a Nestlé como a Ferrero recusaram-se a comentar. As intenções mostram que a Ferrero, que não tem ações em bolsa, está de olho numa fatia maior do mercado americano, após ter comprado a Ferrara Candy em dezembro. Isso elevou sua participação de mercado nesse país para 4,8%. A Nestlé planeja concentrar-se em categorias como café e alimentos para animais de estimação, no momento em que o setor vive uma queda na demanda por produtos açucarados. Embora esteja caminhando para a produção de alimentos mais saudáveis, a empresa suíça continua a manter a produção de refeições prontas, sorvetes e suas operações mundiais de confeitos. Essas categorias de produtos representaram cerca de 40% das vendas totais no ano passado.