Países ricos puxam melhora de previsões econômicas

Publicado em 10/10/2017 por O Globo

  - Andrew Harrer / Bloomberg

WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou na manhã desta terça-feira que o crescimento global deste ano será de 3,6%. A projeção é 0,1 ponto percentual maior que a previsão que havia sido divulgada em julho, graças ao desempenho dos países ricos, que está 0,2 ponto percentual acima do esperado até então, puxado pelos números da Europa, Japão e Estados Unidos. Mesmo com um crescimento mais forte em alguns importantes países emergentes - como China, Brasil e Rússia -, a previsão para o crescimento do grupo se manteve estável, com alta de 4,6% para 2017, parte devido a um crescimento menor da Índia.

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O relatório "Perspectivas Econômicas Mundiais" (WEO, na sigla em inglês), divulgado em Washington indicou ainda um crescimento global de 3,7% em 2018 - número também 0,1 ponto percentual que o previsto em julho. Mas, para o ano que vem, o Fundo revisou para cima em 0,1 ponto percentual tanto o desempenho dos países ricos como para as nações emergentes. O FMI comemorou o fato do crescimento global está mais forte que os 3,2% registrados em 2016, mas afirmou que ainda há muitos desafios:

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- Para 2017, a maior parte da nossa atualização deve-se a perspectivas mais brilhantes para as economias avançadas, considerando que, para a revisão positiva de 2018, os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento desempenham um papel relativamente maior - afirmou Maurice Obstfeld, Conselheiro Econômico e Diretor do Departamento de Pesquisa, ao apresentar o relatório na sede do FMI.

- A aceleração global atual também é notável porque é ampla, mais do que em qualquer outro momento desde o início desta década. Essa amplitude oferece um ambiente global de oportunidade de políticas ambiciosas que irão apoiar o crescimento e aumentar a resiliência econômica no futuro.

Obstfeld, contudo, afirma que o mundo ainda tem muito o que fazer - o relatório da reunião de outubro do FMI tem como título "Buscando o Crescimento Sustentável - Recuperação de Curto Prazo, Desafios de Longo Prazo". Ele afirmou que o mundo não se recuperou completamente da grande crise global iniciada em 2008. O aumento da desigualdade é apontado como primeiro grande desafio:

"O surpreendentemente lento crescimento dos salários nominais, que reforça uma tendência de salários estagnados, aumento de desigualdade da renda e polarização do trabalho com atividades de meio período, tornando os empregos bem remunerados cada vez mais escassos", afirma o documento, que afirma que parte desta desigualdade se deve a políticas dos governos, uma vez que a tecnologia gera uma aumento de ansiedade pelo crescimento da automação que afeta diversas profissões, desafio que também atinge, em menor grau, os mercados emergentes, que também estão vivendo mudanças tecnológicas.

Obstefeld enumera como desafios ainda a situação de alguns países que estão prejudicados com a queda no preço das commodities e de energia, além das nações que enfrentam problemas políticos no Oriente Médio, no Norte da África e na África Sub-saariana. Ele lembra que cerca de 25% dos países do mundo estavam em recessão em 2016 e que um quinto do total continuará a apresentar taxas negativas de atividade neste ano.

Por último, o economista-chefe do FMI aponta que a atual onda de crescimento econômico global mascara resultados pequenos. Para as economias avançadas, afirma, a média de crescimento esperada de 2017 a 2022 é de 1,4%, contra alta de 2,2% vivida entre 1996 e 2005. E todas as 43 nações classificadas como economias emergentes cresceram em ritmo menor nos próximos cinco anos que no passado recente. A solução para estes problemas, segundo o Fundo, é realizar reformas, que são mais fáceis de serem implementadas em períodos de crescimento, buscando a consolidação fiscal e melhorar a redução da desigualdade, focando principalmente na educação, sobretudo dos jovens.

- Investir em capital humano também deve ajudar a aumentar a renda do trabalho, ao contrário da tendência geral das últimas décadas, mas os governos também devem considerar corrigir distorções que podem ter reduzido excessivamente o poder de negociação dos trabalhadores. Em suma, a política estrutural e fiscal em conjunto deve promover condições econômicas favorecendo um crescimento sustentável e mais inclusivo dos salários reais - afirmou o economista em sua apresentação.

O Fundo alerta que, com a inflação historicamente baixa, os bancos centrais terão de ter cuidados redobrados para corrigir suas taxas de juros sem provocar incertezas nos mercados. E, novamente, a instituição afirma que um ponto de risco são os custos econômicas das mudanças climáticas, que geram a necessidade de investimentos de adaptação em países de baixa renda, sobretudo os africanos. O relatório afirma ainda que o aquecimento global, além de impactar diretamente regiões costeiras de países ricos, tendem a intensificar a onda migratória às nações avançadas.