Produtores de borracha pedem elevação de tarifa de importação

Publicado em 04/12/2017 por Valor Online

Contrariados com os preços baixos da borracha no mercado internacional, os produtores brasileiros da matéria-prima decidiram pressionar o governo para aumentar a tarifa de importações do produto vindo da Ásia, que é responsável por mais de 90% da produção mundial. Os donos de seringais no Brasil pedem que o Comitê Gestor (Gecex), instância técnica da Câmara de Comércio Exterior (Camex), prorrogue por mais dois anos o aumento de 4% para 14% da alíquota do imposto de importação incidente sobre a matéria-prima. A tarifa de 14% vigorou por um ano até o último mês de outubro, mas desde então todo o carregamento de borracha importada que chega ao Brasil paga 4%. Em meio à insatisfação do setor, o Ministério da Agricultura recomendou a volta da tarifa para 14% ao Gecex. O órgão da Camex vai se reunir amanhã para tentar votar o assunto. No entanto, o governo está longe de um consenso. A elevação da tarifa enfrenta a resistência dos ministérios da Fazenda e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, que apontam riscos de pressão inflacionária, apurou o Valor. "Nossa proposta é favorável à manutenção da alíquota anterior de 14%", afirmou o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Odilson Ribeiro. No entendimento do presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Abrabor), Fernando do Val Guerra, o problema não é o volume importado. Embora tenham crescido 7% no acumulado do ano até setembro, somando 142,7 mil toneladas, as importações se estabilizaram recentemente, ponderou Guerra. De acordo com ele, o que afeta o segmento é a cotação da borracha na bolsa de Cingapura, que atingiu a média de US$ 1,42 mil por tonelada em novembro. O dirigente da Abrabor alega que os atuais preços da borracha já provocam um movimento de erradicação de seringais no norte de São Paulo, Bahia e Mato Grosso. "O que queremos é que a tarifa de importação volte a subir para balizar os preços também no nosso mercado interno, que seguem as cotações internacionais da borracha", justificou Guerra. Atualmente, pouco expressivo no mercado global de borracha com déficit na balança comercial do setor, o Brasil responde por pouco mais de 200 mil toneladas de borracha ao ano - o equivalente a 1,5% da produção global e apenas 40% do que consome. Para mudar esse status, no entanto, os produtores reivindicam uma política para o setor se sustentar no longo prazo.