Rumo tem lucro de R$ 76 milhões no 3º tri

Publicado em 09/11/2017 por Valor Online

Fontana, presidente: "Visão de que éramos super endividados está revertida" A transportadora ferroviária Rumo reverteu prejuízo e registrou lucro atribuído aos sócios da empresa controladora de R$ 76,2 milhões no terceiro trimestre, reflexo do resultado operacional e da queda de custos. "Descobrimos o ponto de equilíbrio da companhia. Isso mostra principalmente o resultado da redução de custos que a companhia está fazendo sem prejudicar a qualidade do serviço", disse o presidente Julio Fontana, em entrevista ao Valor. Após a fusão em abril de 2015 com a ALL, a Rumo deflagrou investimentos que, segundo Fontana, começaram a dar frutos. Em 2016 a safra quebrou, o que frustrou os resultados. "Mas neste ano estamos tendo oportunidade de mostrar a assertividade do que estamos fazendo. É um trabalho de reconstrução da relação e da produtividade da empresa, que vinha de um processo degradado." Entre as operações da Rumo está o mais rentável corredor de exportação do agronegócio brasileiro, um sistema ferro-portuário que liga o Mato Grosso ao porto de Santos. Os números financeiros e operacionais do trimestre foram positivos. A receita líquida foi de R$ 1,649 bilhão, alta de 14,7% na base anual. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou em R$ 800,9 milhões, aumento de 24,6%. Os dados se referem aos resultados da Rumo S.A. acrescidos dos resultados da Rumo Logística S.A., empresa resultante da incorporação reversa realizada no fim de 2016. A alavancagem medida pela relação entre dívida líquida - incluindo operações de leasing - e Ebitda ficou em 3,98 vezes. Redução de 0,28 ponto sobre o fim do segundo trimestre, quando o indicador fechou em 4,26 vezes. Se fosse considerado o efeito do aumento de capital feito pela companhia em outubro, a alavancagem seria de 2,9 vezes. A Rumo levantou R$ 2,6 bilhões na oferta pública subsequente de ações, recursos que serão utilizados para melhorar a estrutura de capital. A estimativa é chegar ao fim do ano com uma alavancagem de 2,6 vezes, para o que deve contribuir o aumento do Ebitda. "Aquela visão que o mercado tinha de que éramos uma empresa super endividada e que oferecia algum nível de risco está revertida. Nossas negociações hoje são tremendamente diferentes em relação ao passado", disse Fontana. O volume de cargas nas ferrovias da Rumo cresceu 17,7% no terceiro trimestre, para 14 bilhões de TKUs (tonelada por quilômetro útil), sempre na base anual. O transporte na Operação Norte (que inclui as malhas Norte e Paulista) registrou aumento de 15,4%, para 9,2 bilhões de TKUs, e a Operação Sul (malhas Oeste e Sul) fechou o trimestre com 4,3 bilhões de TKUs, alta de 20,6%. "Com o crescimento da produção que prevemos para o futuro e com as ações que tomamos para redução do endividamento, você começa a entrar num círculo virtuoso e ter resultados melhores de uma forma mais perene. Estamos no caminho", disse Fontana. Já os volumes embarcados no porto caíram 4,5%, para 3,9 milhões de toneladas - reflexo do cenário menos favorável para a comercialização do açúcar. Desde 2015 a Rumo investiu quase R$ 5 bilhões de um plano de quase R$ 9 bilhões traçado para ser implantado em cinco anos. O restante será aplicado principalmente nas malhas Paulista e Sul. "Uma boa parte do que fizemos já integra o plano da renovação da Malha Paulista", disse o executivo. A Rumo pediu ao governo a prorrogação antecipada da Malha Paulista, que vence em 2028, mediante realização de investimentos imediatos para aumento da capacidade de escoamento e da eficiência. A empresa diz que entregou os questionamentos solicitados pelo TCU e ANTT, a agência reguladora.