Setor privado brasileiro espera concessões para acordo com UE

Publicado em 08/02/2018 por Valor Online

Phil Hogan, da União Europeia: "A bola está do lado dos países do Mercosul" O setor privado brasileiro vê perspectivas de ocorrer até o fim deste mês o anúncio político do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), desde que certas demandas sejam resolvidas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) diz que continua acreditando que existem condições para o fechamento do acordo na próxima reunião, em Assunção, na semana depois do Carnaval. Apesar disso, alerta que "'existem questões importantes para o desenvolvimento da indústria brasileira que precisam ser aceitas pela União Europeia, como a inclusão do drawback e a não inclusão de disciplinas relacionadas a bens manufaturados e similares". Carlos Eduardo Abijaodi, diretor da CNI, deixa claro que, no entender da entidade, o acordo deverá contar com a aceitação da indústria brasileira para ser efetivamente adotado na sua conclusão. Uma questão que continua travada é a do regime aduaneiro especial de drawback - que isenta os insumos importados de produtos que serão exportados -, considerado essencial pela indústria brasileira. Já a UE condiciona sua eliminação a melhoras a certos produtos agrícolas para o Mercosul. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) aponta possibilidade de acordo, por perceber maior vontade política dos dois lados. "Temos certeza, no entanto, que o governo brasileiro saberá ser ofensivo e, ao mesmo tempo, resguardar os setores mais sensíveis do agronegócio"', diz Camila Sande, responsável pela área de negociações internacionais da CNA. Delegações do Mercosul e da UE continuam negociando em Bruxelas, mas a constatação é que não conseguem destravar várias questões no nível técnico, e que elas só serão resolvidas no nível político. O engajamento dos ministros, e mesmo dos presidentes, será necessário para fazer o pré-acordo na próxima rodada de discussões. O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Nin Novoa, já cravou a data de 26 de fevereiro para anúncio do pré-acordo. O comissário de Agricultura da UE, Phil Hogan, disse à imprensa da Irlanda, seu país, que "a bola está do lado dos países do Mercosul. Eles devem decidir sobre o que estão preparados a oferecer para nós, em troca de concessões na agricultura". Hogan menciona melhor acesso para carros europeus nos mercados do Cone Sul, para ilustrar que a solução não vem "só com carne".