Toledo abre ofensiva contra importações de balanças chinesas

Publicado em 09/01/2018 por Valor Online

Paulo Haegler, presidente da Toledo do Brasil: "De janeiro a novembro, entraram mais de 100 mil balanças ilegais no país" Os fabricantes brasileiros de balanças abriram uma ofensiva contra a entrada de produtos chineses no país de forma ilegal. As cerca de 30 empresas, em conjunto com a Toledo, líder de mercado, e apoio de vários órgãos do governo, como Receita Federal, Inmetro e os Institutos Estaduais de Pesos e Medidas (IPEM), lideraram movimento para frear a competição considerada desleal, de acordo com Paulo Eric Haegler, acionista e presidente da Toledo. São balanças usadas principalmente em pequenas casas do comércio, restaurantes de comidas vendidas por quilo e em feiras livres. Estima-se que as perdas com arrecadação para o Inmetro, que faz a aferição dos equipamentos, já atinge R$ 100 milhões ao ano. O movimento ganhou força no segundo semestre de 2017, quando a Receita Federal apreendeu produtos em contêineres nos portos e também foram apreendidas balanças sem selo no comércio. "De janeiro a novembro, entraram mais de 100 mil balanças ilegais no país, oriundas da China", informa Haegler. São comercializadas em sites e até por ambulantes em feiras livres. Os preços são bem inferiores aos das fabricantes locais, que recebem cerca de R$ 400 por unidade vendida. Na rede de distribuição, os preços chegam a R$ 500. Já existe uma grande quantidade balanças falsas em uso no país, diz o acionista da Toledo, que tem fabricação no Brasil desde 1956. Tanto ela quanto suas concorrentes vendem balanças desse tipo, mas todas têm de ser aferidas pelo Inmetro, que cobra taxa de R$ 47 por isso, e fiscalizadas pelos IPEMs. Apenas a Toledo recolhe por ano R$ 5 milhões pelo Selo Inicial de Verificação-SVO. Um grupo do Inmetro fica dentro da empresa para inspecionar cada balança fabricada e afixar o selo. Além da Toledo, localizada desde 2017 em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, se destacam no setor a Gehaka, Michelleti, Açores e Elgin, entre outras fabricantes. A Filizola, que por mais de um século foi uma marca forte no país, saiu do mercado em 2014, após pedir recuperação judicial em 2012. A empresa foi pioneira ao iniciar a fabricação de balanças localmente em 1890. A Toledo detém, segundo Haegler, de 35% a 40% do mercado brasileiro e suas concorrentes disputam os 60% restantes. A maior delas, sem apontar nome, tem participação de 4% a 5%. A maioria é especializada em segmentos - comercial, ou balanças para caminhão, para laboratórios, ou sistemas de pesagem, até agroindustrial, entre outros. O negócio de balanças está dividido em três grandes mercados: Comércio/Serviços, Indústria-Infraestrutura-Agronegócio e o de Serviços (calibragem, assistência técnica, instalação). Cada um tem peso de um terço no faturamento da Toledo, que fabrica praticamente todos os tipos. Com exceção de alguns itens muito sofisticados e de pouca escala comercial, como balanças específicas - que acabam sendo importadas. No ano passado, a empresa terminou o com receita líquida na faixa de R$ 403 milhões, crescimento de 8% sobre os R$ 373,8 milhões de 2016. Naquele ano, por causa da crise do país, a retração nas vendas foi de 7%. Em 2017, receita líquida da empresa terminou na faixa de R$ 403 milhões, com crescimento de 8% sobre o ano anterior O filé mignon do mercado para os fabricantes é o comércio: balanças estão presentes em todos os caixas de supermercados, nas padarias, em pequenos empórios, restaurantes de comida por quilo e feiras livres. No segmento de serviços, em hospitais, maternidades, farmácias, laboratórios. Em infraestrutura, atende portos, rodovias, trens ferroviários, aviões, navios e aeroportos. A empresa faz sistemas de pesagem que aferem a quantidade exata da carga de um trem de minério da Vale, por exemplo, geralmente em movimento. Um sistema desse custa, dependendo da complexidade, alguns milhões de reais. No agronegócio, a Toledo vende para frigoríficos, usinas de açúcar e álcool, indústria. Um dos seus maiores clientes são grandes abatedouros (frigoríficos), além de transportadoras de gado. Há balanças específicas para pesar com o boi pulando. Há três anos, a empresa começou a fornecer a seus clientes do varejo (especialmente supermercados) cortadores e fatiadores de alimentos e também etiquetas eletrônicas de preços. Os fatiadores são importados, adaptados conforme normas de uso no Brasil. Haegler diz que os dois negócios já respondem por 15% das vendas na área de Comércio. No fim do ano, durante entrevista ao Valor, Haegler se dizia mais otimista com o mercado brasileiro. "Passou o pior momento", afirmou o empresário. Os sinais de reação dos primeiros meses de 2017 foram paralisados pela delação da JBS, em maio. A partir de agosto, disse, a demanda voltou a se reanimar. De janeiro a outubro, o número de pedidos tinham subido 11% ante um ano atrás. Como muitas indústrias, por causa da crise a Toledo também teve de ajustar seu quadro de funcionários: eram 1800 há três anos. Os cortes maiores foram em 2015 e no primeiro semestre de 2017. Em 2016 conseguiu atravessar com redução da jornada e dos salários - mas sem demitir. "Começamos fazer, desde outubro, algumas contratações temporárias e até trabalhar, na linha de produção, em alguns sábados", disse o empresário. A empresa exporta pouco - cerca de US$ 2 milhões ao ano, concentrada em países latino-americanos - Suriname, Colômbia, Peru, Honduras e República Dominicana. Mas já atendeu pedidos do Oriente Médio e até da Suécia (mina de ferro). Gostaria de ampliar os embarques, mas o empresário diz que os custos do Brasil derrubam a competitividade para exportação.