Vale prevê Ebitda de até US$ 19 bi em 2020

Publicado em 07/12/2017 por Valor Online

A Vale caminha para se tornar forte geradora de caixa nos próximos anos, segundo mensagem passada por executivos da empresa a investidores, ontem, em encontro na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). A mineradora sinalizou que em 2020 deve gerar um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de até US$ 19 bilhões, considerando um cenário mais otimista de preços de commodities. No ano passado, o Ebitda da Vale foi de US$ 12 bilhões. "Fazendo os ajustes necessários, queremos criar mais valor do que ninguém no mercado [de mineração]", disse Fabio Schvartsman, presidente da Vale. O diretor-financeiro da empresa, Luciano Siani Pires, afirmou que a criação de valor será garantida por uma melhoria nos "múltiplos" da empresa, resultante da governança, do desempenho e da alocação de capital "previsíveis". Outro elemento importante será justamente a geração de caixa a partir de uma carteira de ativos simplificada, de investimentos "otimizados" e de um balanço sólido com baixo endividamento. A meta da Vale é reduzir a dívida líquida para US$ 10 bilhões. Ontem a Vale reafirmou ao mercado que os investimentos vão permanecer baixos, mesmo incorporando novos projetos. A previsão de investimentos para 2017 é de US$ 4,1 bilhões, número que vai cair para US$ 3,8 bilhões em 2018. Siani disse que os "redutores" de caixa vão diminuir nos próximos anos. Só no caso da Samarco, por exemplo, a estimativa da Vale é aportar US$ 393 milhões na companhia no ano que vem, abaixo dos US$ 470 milhões de 2017, valores que incluem a Fundação Renova, responsável pela reparação ambiental do desastre da Samarco. Schvartsman disse ter certeza que a Renova vai ser provar como sendo uma solução à altura da tragédia da Samarco. Ele não quis fazer previsões, porém, sobre os prazos para a empresa receber as licenças ambientais e voltar a operar. No minério de ferro, a Vale anunciou em Nova York a meta de produção de 390 milhões de toneladas para 2018, acima das 365 milhões de toneladas previstas para este ano. A partir de 2019, a empresa prevê produzir 400 milhões de toneladas anuais. Schvartsman disse que o foco na competitividade vai aumentar o Ebitda dos minerais ferrosos em US$ 1,2 bilhão a US$ 2 bilhões em 2020 em relação a 2017. A empresa prevê uma economia de US$ 3 a US$ 5 por tonelada no minério de ferro até 2020, além do US$ 1 por tonelada já capturado com ganhos na cadeia de valor ao longo de 2017. Outros destaque anunciado pela empresa aos investidores foi o crescimento da produção no S11D, em Carajás (PA), que deve atingir um patamar entre 50 milhões e 55 milhões de toneladas no ano que vem. A capacidade total do empreendimento, de 90 milhões de toneladas, deve ser atingida em 2020. Schvartsman previu que os preços do minério de ferro permaneçam estáveis em 2018. "O mercado em 2018 será muito bom", disse o executivo. Schvartsman anunciou ainda a indicação de Eduardo Bartolomeo como novo diretor-executivo da área de metais básicos em substituição a Jennifer Maki, que deixa a companhia depois de 14 anos. A área de níquel é um dos principais desafios da Vale. Para 2018, a empresa vai reduzir a produção de níquel para 263 mil toneladas, queda de 45% em relação ao plano de produção anterior. A mensagem foi de que apesar de menores volumes, haverá geração positiva de caixa nas operações de níquel. Na Vale Nova Caledônia (VNC), ativo mais problemático, a empresa anunciou que precisa investir US$ 500 milhões em novo reservatório de rejeitos para poder operar.