Wall Street enfrenta novo pregão turbulento

Publicado em 09/02/2018 por Valor Online

Operadores da Bolsa de Nova York (Nyse) vivenciam novo pregão de desvalorizações expressivas para ações; o índice de volatilidade VIX saltou 20,66% Wall Street reviveu ontem a sensação de "crash relâmpago" de segunda-feira. As bolsas de Nova York operaram em terreno negativo praticamente durante todo o dia, mas afundaram mesmo apenas nos minutos finais do pregão. O índice Dow Jones perdeu 4,15% ontem, ou 1.033 pontos, para 23.860,46 pontos. O S&P 500 caiu 3,75%, aos 2.581,00 pontos, e o Nasdaq recuou 3,90%, aos 6.777,15 pontos. Com os mercados sofrendo seu primeiro golpe significativo desde o começo de 2016, analistas se esforçam para explicar a gravidade das turbulências - com grande parte da culpa recaindo sobre as estratégias de negócios por algoritmos e complexos títulos negociados em bolsas de valores - e assegurar aos investidores que a tempestade vai passar. No Brasil, os mercados fecharam antes de Wall Street piorar. O Ibovespa terminou com queda de 1,49%. O dólar fechou vendido a R$ 3,2829, em alta de 0,22%. Dessa forma, analistas dizem que a abertura do pregão local hoje tende a ser negativa, como forma de se ajustar à piora do exterior. "Correções como esta podem ter vida curta, mas dolorosas, uma vez que é difícil prever o começo e o fim na ausência de gatilhos claros", disse ontem Pierre Blanchet, diretor de estratégias multiativos do HSBC. "No entanto, não acreditamos que algo fundamentalmente tenha mudado ou que a correção representa uma mudança para um novo paradigma de mercado." Os investidores seguem receosos com o aumento dos rendimentos ("yields") dos Treasuries, um movimento que vem ocorrendo sem interrupção desde o início do ano com as perspectivas de aceleração da inflação e aperto monetário mais forte do que o previsto. O dia de pressão levou o yield da T-note de dez anos a 2,851%, de 2,843% no dia anterior, perto das máximas desde 2014. O índice de volatilidade VIX, conhecido como "termômetro do medo", saltou 20,66%, para 33,46, mais do que o dobro do patamar de uma semana atrás, o que indica também mais instabilidade à frente. Contudo, ainda está distante do patamar de 50, atingido na terça-feira. Movimentações do índice acima dos 20 pontos geralmente marcam um período extenso de volatilidade para o mercado de ações. Muitos analistas e investidores acreditam que as turbulências se estenderão por mais alguns dias, diante da grande valorização das ações em 2017 e por causa de fatores técnicos em ação, como as estratégias automáticas de negócios atreladas à volatilidade. Marko Kolanovic, um experiente estrategista do J.P. Morgan, estima que os operadores de algoritmos que miram a volatilidade venderão cerca de US$ 200 bilhões em ações esta semana, pressionando mais os mercados. Ele observa, no entanto, que o cenário econômico é bem mais favorável que o da última vez em que os mercados sofreram um golpe induzido pela volatilidade, no terceiro trimestre de 2015, e destacou o vigoroso crescimento da economia mundial, os fortes lucros corporativos e os preços estáveis das commodities. Com o tombo de ontem, Dow Jones e S&P 500 já estão mais de 10% abaixo do pico mais recente, atingido em 26 de janeiro, e entraram em território de correção técnica - ou seja, agora estão em tendência baixista. Os três índices também apagaram a valorização acumulada neste ano. Na semana, as quedas acumuladas de Dow Jones e S&P alcançam 6,5%. As ações europeias também foram duramente afetadas por ondas de venda na última hora do pregão - mesmo tendo fechado antes do pior em Nova York. O índice Eurofirst 300 terminou o dia em queda de 1,2%, elevando as perdas acumuladas na semana para 3,1% - a caminho do pior desempenho semanal desde dezembro de 2016. Ontem também pesaram balanços corporativos ruins e a baixa nos preços internacionais do petróleo. As 32 empresas do setor dentro do S&P 500 caíram nesta sessão. Os preços do petróleo caíram pela quinta sessão consecutiva. Os contratos do Brent para abril fecharam em queda de 1%, a US$ 64,81 por barril, na ICE, em Londres, enquanto os do WTI para março cederam 1%, a US$ 61,15 o barril, em Nova York. As cotações internacionais acentuaram a baixa no pregão eletrônico, zerando os ganhos no acumulado do ano. Na Europa, as bolsas retornaram ao terreno negativo depois de forte recuperação observada no dia anterior. As baixas também foram ampliadas no final da sessão, com o índice pan-europeu Stoxx 600 recuando 1,60%, a 374,03 pontos. O DAX, referência da bolsa de Frankfurt, caiu 2,62%, a 12.260,29 pontos, o FTSE 100 recuou 1,49%, a 7.170,69 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, cedeu 1,98%, a 5.151,68 pontos. (Com Financial Times)