Celina Turchi: “Pesquisa em saúde pública não é luxo"

Publicado em 09/03/2018 por El País

Médica e cientista brasileira, reconhecida internacionalmente pela pesquisa que ligou o zika à microcefalia, alerta para os cortes de investimento na ciência.


Uma epidemia mudou a vida da médica e cientista brasileira Celina Turchi, pesquisadora da Fundação Osvaldo Cruz em Pernambuco. Em 2015, a professora aposentada do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás foi responsável por formar uma rede de pesquisadores de diversas especialidades reunidos no Grupo de Pesquisa da Epidemia de Microcefalia - MERG (Microcephaly Epidemic Research Group), que, em apenas três meses conseguiu identificar como o zika vírus e a microcefalia estavam relacionados.

A velocidade da resposta à crise de saúde pública que tomava o Brasil e ameaçava outros países fez com que a médica fosse reconhecida pela revista científica Naturecomo uma das dez cientistas mais importantes em 2016. A revista norte-americana Time também listou a pesquisadora em 2017 entre as 100 pessoas mais influentes do mundo.

Dois anos depois, a emergência nacional passou, mas deixou sequelas. Os casos até há pouco classificados como “incomuns ou inesperados” já contam com algum conhecimento científico para serem combatidos. O mais recente Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde mostra que, em 2017, foram confirmados 235 casos de recém nascidos e crianças com microcefalia e alterações no desenvolvimento relacionados à infecção pelo vírus zika. Número muito menor em relação aos 1.869 casos de 2016 e aos 967 casos de 2015.

As doenças transmitidas por insetos vetores (como zika, dengue, chikungunya e febre amarela) continuam no topo da lista de prioridade da saúde pública. Mas o aparente controle sobre a situação mantém Celina Turchi em alerta. “Nossa preocupação é que as pessoas se sintam seguras e achem que não vai ocorrer mais”, afirma. Turchi conversou com o EL PAÍS sobre os desafios de fazer pesquisa de epidemias no Brasil. A entrevista com a pesquisadora encerra o especial Mulheres na Ciência publicada pelo EL PAÍS em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Leia a entrevista aqui