DECISÕES RESPONSÁVEIS

Publicado em 09/02/2019 por Marcello Brito

Não queime suas pontes. Você ficará surpreso com quantas vezes terá que atravessar o mesmo rio.
Autoria desconhecida
O ano de 2019 surge sob a égide de um novo governo no Brasil. Mais do que isso, surge sob uma promessa de mudança de rumo total, no campo político-administra- tivo, em relação ao que foi executado não somente no último governo, mas em todos os anteriores a partir da redemocratização. Parte-se do pressuposto, já comprovado em diversas áreas, de que as relações republicanas nacionais estão carcomidas por corrupção, compadrio, corporativismo e patrimonialismo.
Quando lançou o seu recado contundente nas últimas eleições de 2018, a opinião pública mostrou sinais claros de esgotamento e cansaço. No horizonte, surgiram as propostas de mudança, centenas de milhares delas, mas, em sua grande maioria, pouco elaboradas. Por isso, faz-se necessário analisá-las nos seus mínimos detalhes para evitar as famosas “consequências indesejáveis” de qualquer ação mal traçada.
No agronegócio, no desejo de um setor menos regulado e mais moderno e eficiente, assistimos à aglutinação de partícipes com visões de correntes variadas. Em termos de opiniões, encontramos um pouco de tudo, mas raramente com uma sugestão de começo, meio e fim sob a ótica do que é melhor para o País. Esse é o caso, por exemplo, quando perguntamos sobre as consequências de nos mantermos ou abandonarmos o Acordo de Paris, firmado em 2015, na 21a Conferência das Partes da Convenção - Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-21/UNFCCC, nas siglas em inglês).
Temos visto posições diversas, mas pouquíssimas contemplam os impactos positivos e negativos da decisão para as cadeias produtivas do agronegócio, desde a produção no campo, passando pela indústria e pelo transporte, até a comercialização, seja no mercado local ou internacional. Se o agro nacional responde por quase US$ 110 bilhões em exportações e um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, qual é o real impacto dessas decisões? Precisamos lembrar que, no tema da produção sustentável, não podemos atuar de forma individual. Como somos parte de negócios que requisitam cada vez mais rastreabilidade total, da produção ao consumo, as ações do Brasil refletem-se no mercado comprador, e vice-versa. Isso também é válido para os nossos concorrentes.
Nos últimos governos, políticos de matrizes ideológicas diferentes ocuparam o Palácio do Planalto. Cada um deles deu mais ênfase comercial a um certo grupo de países. Nenhum incendiou as pontes estratégicas que nos ligam aos que não víamos como parceiros de primeira hora. Esse é um dos principais motivos pelo qual, hoje, espalhamos as exportações para mais de uma centena de países.
Esperamos do novo governo a construção de mais pontes seguras com parceiros comerciais, para abrir mais espaço aos produtos brasileiros no exterior. Temos boas histórias para contar e mostrar. Contamos com produtos de excelência e que são referência no quesito da qualidade. Com planos de negócios dotados de visão de médio e longo prazos, possuímos as condições naturais para nos consolidarmos, no futuro próximo, como um grande celeiro mundial.
No momento, caminhamos confiantes para isso a passos largos. Há, ainda, um longo e árduo caminho pela frente. Isso demandará muita negociação, criatividade, maturidade comercial e visão estratégica, tanto da parte do governo, como da inciativa privada.
Que venham os novos dias!
Marcello Brito é presidente da Associação Brasileira do Agronegócio - ABAG