Acionistas dão aval e avança fusão de Suzano e Fibria

Publicado em 14/09/2018 por Valor Online

Acionistas dão aval e avança fusão de Suzano e Fibria

A Suzano Papel e Celulose e a Fibria deram mais um passo para consumar a combinação de seus negócios anunciada em 16 de março. Em assembleias realizadas ontem em São Paulo (SP) e Salvador (BA), acionistas das duas companhias aprovaram a operação, que agora depende do aval de órgãos reguladores no Brasil e na Europa.

Na assembleia geral extraordinária da Fibria, a aprovação já era prevista. Os controladores da companhia, Votorantim e BNDESPar, braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), detêm mais de 58% das ações e tinham se comprometido a votar favoravelmente - para a aprovação, eram necessários os votos de detentores de 50% das ações mais um.

A operação de fusão com a Suzano foi aprovada por 84% dos acionistas da Fibria, desconsideradas as abstenções, e teve manifestação de votos contrários dos minoritários. Do total de acionistas minoritários que votaram na assembleia, 54% foram contra a operação, incluindo os fundos de pensão da Petrobras (Petros) e o fundo de pensão do Banco do Brasil (Previ). Procuradas pela reportagem, as fundações não comentaram o assunto.

Acionistas minoritários da Fibria, representados por fundos de investimento, apresentaram queixas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra a estrutura da operação entre as duas companhias. Esses investidores afirmam que a Suzano não oferece "tag along", mas sim "drag along", e criticam a obrigação de vender sua posição em dinheiro. Para cada ação da companhia, a Suzano pagará R$ 52,50 corrigidos pelo CDI, que equivalerá a 80% do preço total, além de 0,4611 ação de sua emissão.

Na semana passada, em reunião de colegiado, a CVM deu aval à operação, por três votos a um, e rejeitou pedidos de adiamento da assembleia. Apesar de já aprovada pela assembleia tanto de Suzano quanto de Fibria, a operação ainda pode ir para arbitragem ou ser questionada na Justiça por algum acionista.

Na assembleia da Fibria, foram 387,097 milhões de votos favoráveis à operação (82,7%) do total, 74,266 milhões contrários (15,9%) e 6,410 milhões de abstenções (1,4%). Na assembleia da Suzano, foram 840,946 milhões de votos favoráveis e 77,353 milhões de abstenções.

Na quarta-feira à noite, a Fibria informou o resultado da votação à distância e, segundo mapa sintético consolidado, 49,82% das ações registradas, ou 49,450 milhões, foram pela aprovação da operação nos termos e condições do protocolo e justificação, enquanto 49,97%, ou 49,604 milhões de ações, votaram pela rejeição. O total de votos recebidos pela Fibria a distância representa 18% do total da sua base acionária, de 553,934 milhões de papéis.

Cumprida essa etapa, a expectativa recai agora sobre o posicionamento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Comissão Europeia acerca da transação. Órgãos antitruste nos Estados Unidos, na China e na Turquia já deram sinal verde para a operação, sem restrições. No Brasil, o Cade tem coletado a opinião de clientes, fornecedores e concorrentes sobre a operação. Na Europa, a Suzano fez apenas o pré-arquivamento do pedido de análise e tem fornecido informações requeridas pelo comissariado. (Colaborou Marcelle Gutierrez).