Alta do dólar levou Minerva a fechar 3º trimestre no vermelho

Publicado em 07/11/2018 por Valor Online

Alta do dólar levou Minerva a fechar 3º trimestre no vermelho

SÃO PAULO  -  O impacto da apreciação do dólar sobre o valor em reais das dívidas em moeda estrangeira levou a brasileira Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, a encerrar o terceiro trimestre no vermelho. No período, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 132 milhões. Em igual intervalo do ano passado, a empresa reportou lucro de R$ 85,8 milhões.

Em entrevista, o diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, ponderou que o prejuízo não tem efeito sobre o caixa da empresa. Além disso, a estratégia de proteção (hedge) cambial da empresa funcional, disse. Em junho, a empresa decidiu proteger cerca de 50% da exposição ao dólar de longo prazo. Com isso, impediu um prejuízo ainda maior.

No terceiro trimestre, a valorização do dólar gerou despesa não caixa de cerca de R$ 350 milhões. "Mesmo assim, em função da política de hedge, o resultado negativo ficou na ordem de R$ 130 milhões", afirmou Ticle. Sem os instrumentos de hedge, a Minerva registraria uma perda de cerca de R$ 150 milhões superior à efetivamente registrada no período.

A jornalistas, Ticle também enfatizou o bom desempenho operacional da Minerva, especialmente na Athena Foods, que engloba as operações da empresa na Argentina, Paraguai, Uruguai e Colômbia.

Nesse caso, o câmbio ajudou, impulsionando o faturamento da empresa. "Um câmbio mais competitivo ajuda nessa parte de exportação", disse o presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, lembrando que o mercado externo é o foco dos negócios no Brasil e fora.

Nesse cenário, a receita líquida da Minerva atingiu R$ 4,3 bilhões, alta de 27% na comparação anual. Na Athena Foods, o receita bruta cresceu 63,3%, para R$ 1,8 bilhão - a aquisição dos ativos da JBS na região, feita no ano passado, ajuda a explicar esse forte crescimento. Nos negócios no Brasil (incluindo as exportações), o faturamento aumentou 7,6%, para R$ 1,9 bilhão.

Além do crescimento das vendas, a Minerva ganhou rentabilidade. Com índice de utilização de capacidade mais próximo de 80% no terceiro trimestre, a companhia gerou mais de R$ 93,5 milhões em caixa livre e reportou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) recorde. No terceiro trimestre, o Ebitda ajustado da Minerva aumentou mais de 44%, atingindo R$ 449,2 milhões. Com isso, margem Ebitda ajustada também aumentou, passando de 9,1% a 10,4%.

"Mesmo com o câmbio, a alavancagem caiu porque o resultado foi muito forte", disse o diretor financeiro da Minerva. No fim de setembro, o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) estava em 4,97 vezes, ante 5 vezes em junho.

A tendência é que esse índice, que ainda é bastante elevado, mantenha a trajetória de queda neste ano. Conforme Ticle, o aumento de capital de cerca de R$ 1 bilhão será concluído em 14 de novembro. Os recursos da operação serão integralmente utilizados para pagar dívidas. Nesse sentido, a Minerva anunciou na semana passada uma oferta para recomprar os US$ 291 milhões em títulos perpétuos. "O perpétuo é a dívida mais cara [da Minerva]", disse. Por esses títulos, a empresa paga 8,75% ao ano.

Paralelamente, a Minerva reforçou a intenção de abrir o capital da Athena Foods na bolsa do Chile. A maior parte dos recursos da oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da controlada também será utilizada, para reduzir as dívidas. Com esse conjunto da iniciativas, o índice de alavancagem poderia cair para 2,1 vezes no fim de 2019.

Na entrevista, Ticle reafirmou que entrará com o pedido de abertura de capital em novembro. A partir do pedido, o órgão regulador do mercado de capitais do Chile apreciará a operação. O prazo para isso é de três a seis meses. A intenção de fazer o IPO da Athena Foods foi anunciada ao mercado em agosto.