Alvos de inquéritos negam irregularidades

Publicado em 12/01/2018 por Valor Online

Investigados nos 30 inquéritos civis instaurados pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) a partir das acusações feitas pelos delatores da Odebrecht negaram envolvimento em irregularidades. O senador José Serra disse, em nota, que "sempre pautou sua trajetória política na lisura e na austeridade em relação aos gastos públicos". Segundo o parlamentar, "a obra do Rodoanel Sul foi um exemplo dessa conduta", porque foi "licitada, contratada e iniciada antes do seu governo". Ainda segundo o comunicado de Serra, "assim que assumiu [o mandato de governador, em 2007], determinou que os contratos das principais obras do Estado fossem submetidas a uma revisão, com vista à redução de seus preços" fato que, segundo o senador, "gerou uma economia de R$ 100 milhões em recursos da época, quase R$ 200 milhões em valores atualizados". O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, disse que o inquérito civil "não tem razão de ser", porque segundo o chanceler "não há na delação da Odebrecht qualquer menção a eventuais prejuízos que [ele] possa ter acarretado ao patrimônio público". O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou estranhar que o seu nome "seja associado à Odebrecht e à UTC, duas empresas que tiveram todos os seus interesses contrariados" na sua gestão. Em relação ao segundo inquérito, Haddad afirmou que "o depoimento de Ricardo Pessoa [dono da UTC] foi negado pelo proprietário da gráfica, que afirmou tratar-se de recursos para outras campanhas". O advogado de Paulo Souza, Daniel Bialski, disse que o ex-diretor da Dersa "está tranquilo e vai demonstrar sua inocência nos autos". Segundo o criminalista, a investigação do MP-SP "é a versão na esfera cível das delações da Odebrecht, "que retaliam Paulo Souza pelo fato de ele nunca ter cedido às pressões e vontades do cartel de empreiteiras". A Dersa, por meio de sua assessoria, disse que "todas as obras realizadas pela companhia foram licitadas obedecendo-se à legislação em vigor". Segundo a empresa, os funcionários citados no inquérito não fazem mais parte dos seus quadros e foram tomadas medidas internas para coibir eventuais casos de corrupção. O ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), "reafirma sua tranquilidade e a lisura de sua conduta, e ratifica sua absoluta confiança no Poder Judiciário e no Ministério Público", segundo sua assessoria. O deputado estadual Campos Machado (PTB) disse não conhecer "nenhum diretor e nenhum funcionário que trabalha ou já tenha trabalhado na Odebrecht". O também deputado estadual Roberto Massafera (PSDB) afirmou que "todas as contribuições recebidas em 2010 foram declaradas à Justiça Eleitoral e as contas [foram] aprovadas". "Não recebi nada da Odebrecht, não pedi e não autorizei ninguém a falar em meu nome", disse. Correligionário e colega de Assembleia de Massafera, Barros Munhoz afirmou que todas as contas das nove eleições que disputou "foram integralmente aprovadas pelos tribunais competentes". O deputado também se colocou à disposição da Justiça para prestar maiores esclarecimentos. O Valor não obteve resposta do secretário de Habitação do Estado de São Paulo, Rodrigo Garcia (DEM). Não foram localizados os seguintes investigados por inquéritos do MP-SP: o ex-presidente do PT e ex-deputado federal José Genoino, o ex-deputado federal Gabriel Chalita, Orlando Almeida Filho e Orlando de Almeida Neto, ambos aliados de Kassab, o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) Fulvio Julião Biazzi, nem a assessoria do Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de São Paulo.