Para analistas, inflação oficial recuou e ficou em 0,27% em julho

Publicado em 08/08/2018 por Valor Online

Para analistas, inflação oficial recuou e ficou em 0,27% em julho

Passados os efeitos da paralisação dos caminhoneiros, a inflação voltou rapidamente a uma trajetória mais comportada, movimento que deve se aprofundar em agosto, avaliam economistas. Segundo a estimativa média de 37 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,27% em julho, quase um ponto percentual abaixo da taxa registrada no mês anterior (1,26%).

As projeções para o indicador oficial de inflação, a ser divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vão de alta de 0,21% a 0,47%. No acumulado em 12 meses, a inflação medida pelo IPCA deve ter aumentado ligeiramente na passagem mensal, de acordo com a média dos analistas, de 4,39% para 4,43%.

A descompressão inflacionária observada de junho para julho foi generalizada, diz Leonardo França, da Rosenberg Associados, para quem o IPCA desacelerou a 0,24% no último mês. Em seus cálculos, a principal influência de baixa no índice foi o grupo alimentação e bebidas, que recuou 0,50% na medição atual, depois de ter avançado mais de 2% no sexto mês do ano. Os alimentos in natura, que têm um ciclo mais curto, foram os que mais subiram com a greve dos transportes e, agora, devem mostrar deflação expressiva, estima.

Na parte de proteínas animais, carnes bovinas e de aves e ovos tendem a recuar já em julho, afirma França, mas leite e derivados se mantiveram em patamar elevado no mês passado. "Nestes setores houve também um ajuste de margem das empresas", explica. Como, em agosto, espera-se queda maior para todo o segmento de proteínas, os preços de alimentos vão diminuir ainda mais neste mês, levando a inflação total a ficar ao redor de zero no período, avalia o economista.

França destaca, ainda, a desaceleração prevista para os transportes na passagem de junho para julho, de 1,58% para 0,60%. Segundo ele, o grupo não entrou no campo negativo em função das passagens aéreas, que subiram 45% no IPCA-15 do mês atual. Pela metodologia do IBGE, a taxa de bilhetes aéreos apurada na prévia quinzenal de cada mês é repetida no fechamento.

Por outro lado, observa, os combustíveis devem ter recuado 1,46%, com retração mais forte no etanol. Para a gasolina, o cenário também ficou mais tranquilo, porque o petróleo está em queda no mercado internacional e o câmbio não pressionou os preços em julho, comentou.

Mesmo desconsiderando o processo de normalização dos preços após o choque temporário, o comportamento da inflação segue benigno, diz Rafael Gonçalves Cardoso, economista-chefe da Daycoval Investimentos. Em suas estimativas, os preços de serviços seguiram rodando em 0,25% no mês passado, mesmo patamar de junho, enquanto a média dos três núcleos mais usados do IPCA cedeu para 0,13%, ante 0,55% na leitura anterior.

Em 12 meses, tanto a média das três medidas usadas para expurgar ou reduzir o impacto de itens voláteis sobre o IPCA quanto a inflação de serviços devem seguir na casa de 3% daqui até o fim do ano, prevê Cardoso. "Mesmo com os efeitos secundários da greve de maio, os núcleos têm espaço para acomodar essas altas", diz o economista, que avalia que os juros básicos devem ficar estáveis, em 6,5% ao ano, até dezembro.

"A dinâmica inflacionária não parece demandar nenhuma ação corretiva do Banco Central até agora", concordam os economistas Jankiel Santos e Flávio Serrano, do Haitong. Para o banco, o IPCA ficou em 0,25% em julho, o equivalente a 4,4% em 12 meses. A perda de fôlego, afirmam Santos e Serrano, se concretizada, vai reforçar a avaliação da autoridade monetária de que o impacto da greve dos caminhoneiros nos preços foi transitório.

Para o Haitong, o IPCA cedeu no mês passado influenciado principalmente pela queda de alimentos e combustíveis - os dois itens que mais pressionaram os índices no sexto mês do ano. Parte do ambiente inflacionário mais tranquilo está relacionada também a uma recuperação da atividade mais fraca do que o previsto, dizem os economistas do banco.