Após desvalorização, inflação de agosto é a mais alta do ano

Publicado em 14/09/2018 por Valor Online

Após desvalorização, inflação de agosto é a mais alta do ano

A inflação argentina teve em agosto a maior alta mensal em mais de dois anos, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O índice de preços ao consumidor (IPC) subiu 3,9% em relação a julho.

A alta de 3,9% está de acordo com o esperado pelos economistas. No entanto, não reflete totalmente a recente desvalorização do peso argentino em agosto.

"A alta de 3,9% está perto da estimativa de 4%. A inflação de agosto ainda é influenciada pela desvalorização de abril, maio e junho. Mas a depreciação de 35% do peso entre agosto e a primeira semana de setembro será mais sentida nos próximos meses", diz Sebastián Martínez, analista macroeconômico da consultoria Abeceb. Para setembro, ele espera inflação de 6%.

Em relação a agosto de 2017, a alta da inflação foi de 34,4%. De acordo com o Indec, no acumulado dos oito primeiros meses do ano, a inflação ao consumidor avançou 24,3%.

Na semana passada, o ministro da Economia, Nicolás Dujovne, afirmou que a previsão é que o ano encerre com inflação de 42%.

Martín Tetaz, economista da Universidade de La Plata, afirma que é muito difícil que a inflação termine 2018 dentro do previsto pelo governo. "É mais provável que fique perto de 45% do que de 42%", afirma.

A Abeceb trabalha com dois cenários para 2018, diz Martínez. No primeiro, o dólar ficaria mais ou menos estável e chegaria a 42 pesos no fim do ano. A inflação de outubro seria de 3,5%, caindo para 2,5% em novembro e também em dezembro. Isso resultaria em uma inflação anual de 42,5%.

No segundo cenário, mais pessimista, o dólar chegaria ao fim do ano cotado a 46 pesos. Isso levaria a uma inflação mensal média de 3,5% no último trimestre e a uma inflação anual de 46%.