Após investigação, Martin Sorrell renuncia ao cargo de diretor-executivo da WPP

Publicado em 15/04/2018 por O Globo

Martin Sorrell na Bolsa de Nova York - Mark Lennihan / AP

LONDRES - Trinta e três anos após fundar a WPP, maior agência de publicidade do mundo, Martin Sorrell deixa o cargo de diretor-executivo da empresa. O anúncio acontece após alegações de má-conduta pessoal e de uso indevido de ativos da empresa.

Sorrell renunciou na noite de sábado, após a conclusão de uma investigação, comandada pelo conselho empresarial desde 03 de abril. O magnata negou as acusações e, em uma carta à equipe da WPP, disse que optou por sair porque "o transtorno está colocando muita pressão desnecessária sobre os negócios, sobre nossos mais de 200 mil funcionários, 500 mil dependentes, e sobre os clientes que atendemos em 112 países".

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O presidente Roberto Quarta se tornará presidente-executivo até que seja encontado um substituto para Sorrell. Além disso, o executivo-digital, Mark Read, e o diretor de operações da Europa, Andrew Scott, foram nomeados diretores de operações em conjunto.

"Obviamente, estou triste por deixar a WPP", escreveu Sorrell. "A empresa tem sido uma fonte de paixão, foco e energia por tanto tempo. Mas acredito que será melhor para os negócios se eu me demitir agora."

A empresa anunciou que o inquérito, aberto no início do mês, foi concluído, mas voltou a afirmar que "as alegações (de improbidade) não envolvem valores susbstanciais para a WPP".

DE FABRICANTE DE CESTO À GIGANTE PUBLICITÁRIA

Por meio de uma série de aquisições, Sorrell transformou uma fabricante britânica de cestos de arame em uma empresaa mundial de serviços de publicidade, relações públicas e marketing.

Em 2000, tornou-se Sir (um título de nobreza da monarquia britânica). Em 2015, chamou a atenção da mídia por seu salário exorbitante. Naquele ano, recebeu nada menos do que 70 milhões de libras em salários e remunerações (o equivalente, hoje, a R$ 327 milhões).