Autoridades da Etiópia cortam acesso à internet após surto de violência

Publicado em 08/08/2018 por Reuters Brasil

NAIRÓBI (Reuters) - Autoridades interromperam o acesso à internet no leste da Etiópia após um surto de violência local, disseram moradores nesta quarta-feira, em um sinal dos desafios enfrentados pelo primeiro-ministro reformista Abiy Ahmed para conter as tensões étnicas em algumas regiões do país.

Premiê etíope, Abiy Ahmed 28/07/2018 REUTERS/Mike Theiler

Os moradores, um deles falando da região de Oromia e outro da cidade de Harar, disseram que a conexão não funciona há três dias, na primeira vez em que o acesso é interrompido desde que o Parlamento revogou um estado de emergência em junho.

O porta-voz do governo etíope, Ahmed Shide, não respondeu de imediato a um telefonema e uma mensagem de texto pedindo comentários sobre a interrupção, que foi relatada na terça-feira pelo grupo de defesa de direitos digitais Access Now.

A violência irrompeu no sábado em Jijiga, capital da região somali do país, quando multidões saquearam propriedades de minorias étnicas. Autoridades de segurança mataram quatro pessoas a tiros, disse uma testemunha à Reuters.

O governo disse que os tumultos foram estimulados por autoridades regionais.

Os moradores de Oromia e Harar disseram temer que a violência se espalhe da região somali para outras áreas do leste da Etiópia, em parte porque retaliações étnicas respectivas são um elemento dos tumultos que abalaram a nação durante três anos, até a renúncia do premiê Hailemariam Desalegn em fevereiro.

O governo decretou um estado de emergência um dia depois da renúncia de Hailemariam, ocorrida na esteira de três anos de protestos de rua e tumultos violentos.

Desde que substituiu Desalegn, em abril, Abiy virou a política e a economia do avesso no país de 100 milhões de habitantes, mas a persistência da violência étnica é um obstáculo para seu ímpeto reformista.

Atualmente quase um milhão de etíopes estão afastados de suas casas devido aos conflitos étnicos na região somali, em Oromia e em outras partes, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).