Banrisul redireciona empréstimos à pessoa física e às pequenas empresas

Publicado em 14/11/2017 por DCI

14/11/2017 - 05h00

Banrisul redireciona empréstimos à pessoa física e às pequenas empresas

A instituição estadual do Rio Grande do Sul remodela o processo de análise de risco e concessões. Depuração nas carteiras às pessoas jurídicas e conservadorismo, porém, mantém provisões altas

Banrisul mais do que dobra lucro no 3º trimestre frente à igual período de 2016, para R$ 220 milhões
Banrisul mais do que dobra lucro no 3º trimestre frente à igual período de 2016, para R$ 220 milhões
Foto: Leandro Osório/Especial Palácio Piratini

São Paulo - Com nova estratégia de risco e concessão, Banrisul começa a redirecionar o crédito para pessoas físicas e micro e pequenas empresas. O processo de "depuração" das carteiras e o alto conservadorismo, porém, ainda são obstáculos para a redução das provisões.

O fôlego, que trouxe a leve alta de 1,1% na carteira de crédito total do banco do Rio Grande do Sul no terceiro trimestre deste ano - em relação a iguais três meses de 2016, (de R$ 30,146 bilhões para R$ 30,492 bilhões) -, foi puxado pelo aumento de 23% nas concessões às pessoas físicas, de R$ 14,751 bilhões para R$ 11,936 bilhões.

Na carteira de pessoas jurídicas, por sua vez, a queda foi de 17,9% na mesma base de comparação, de R$ 8,091 bilhões para R$ 6,646 bilhões.

O movimento, de acordo com o diretor financeiro e de relação com investidores do Banrisul, Ricardo Hingel, faz parte de uma "remodelagem de riscos e concessões" e traz maior penetração na própria base de clientes.

"Concentraremos operações em pessoas físicas e pequenas e médias empresas e o processo não precisa, necessariamente, trazer mais clientes, mas ocupar aqueles que já estão dentro do banco", explica o executivo.

Outro aspecto visível de atuação do Banrisul é o viés da carteira para linhas de curto a médio prazo. Os empréstimos de longo prazo caíram 20,2% no terceiro trimestre deste ano com relação a igual intervalo de 2016, de R$ 1,766 bilhões para R$ 1,409 bilhões.

"Já percebemos sinais de moderada recuperação na economia e a política de baixa demanda por crédito e maior seletividade ainda persistirá no banco", completa Hingel.

Altas reservas

Ao mesmo tempo, apesar da redução de 19,9% no crédito em atraso acima de 90 dias de julho a setembro de 2017 com relação a iguais três meses do ano passado (de R$ 1,638 bilhões para R$ 1,311 bilhões), as provisões do Banrisul ainda subiram 6,3% na mesma relação, de R$ 2,539 bilhões para R$ 2,700 bilhões, puxadas principalmente pela qualidade do crédito às pessoas jurídicas.

"O nosso modelo conservador nos penaliza nesse quesito porque aumentamos as provisões até por operações que estão em dia", comenta Hingel.

"Precauções ainda não são perdas. Conforme a economia recupere, a tendência passa a ser de queda", comenta o diretor do banco estadual

Já para o superintendente da unidade de relações com investidores do Banrisul Alexandre Ponzi, grande parte da volatilidade nas provisões vem da depuração de carteiras de financiamentos mais antigas.

"As empresas estão em um processo de cura e, até que isso se solucione e elas ou voltem ao balanço ou baixem a prejuízo, ainda veremos alguns ajustes ao longo do trimestre. A qualidade do crédito é boa, mas há uma faxina necessária sendo feita", analisa.

Rentabilidade

Além disso, em relação à busca por rentabilidade e de melhores resultados, os executivos do banco destacaram tanto a queda nas despesas com provisões (-13,7% no acumulado dos nove meses deste ano em relação a igual intervalo de 2016, de R$ 1,265 bilhões para 1,091 bilhões) quanto a alta das receitas com serviços e tarifas (+0,8%, de R$ 1,269 bilhões para R$ 1,279 bilhões), puxada pela Banrisul Cartões, que corresponde por 30% dos resultados do banco.

O lucro líquido do Banrisul foi de R$ 536,7 milhões no acumulado dos nove meses do ano, alta de 8,5% em relação ao mesmo período do ano passado, de R$ 494,6 milhões.

Sem outros detalhes sobre a venda de parte das ações excedentes ao controle em oferta pública por parte do governo, os executivos afirmam que independente de quando aconteça ou das mudanças em governança que o processo possa trazer, "o resultado do banco não será influenciado de alguma maneira".

Isabela Bolzani

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