Biomm produzirá insulina de última geração no país

Publicado em 11/07/2018 por Valor Online

Biomm produzirá insulina de última geração no país

Luis Ushirobira/Valor

Marchezini, da Biomm: "No Brasil, 80% do mercado é de insulina humana e 20%, glargina. Em outros países, é o inverso"

A farmacêutica brasileira Biomm, que nasceu em 2001 da cisão da antiga Biobrás e tem entre seus acionistas TMG Capital, Vinci, BNDESPar e o empresário e ex-ministro Walfrido dos Mares Guia Neto, caminha para se tornar a primeira fabricante de insulina análoga de longa duração do país.

Com a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Glargilin, nome comercial para o biossimilar da insulina glargina que será comercializado pela Biomm, a companhia poderá dar andamento a seu plano estratégico e solicitar a certificação da fábrica de Nova Lima (MG), que já está pronta.

Hoje, toda insulina consumida no Brasil, que tem cerca de 8 milhões de pacientes diagnosticados com diabetes, de um total estimado em cerca de 15 milhões, é importada. A insulina glargina, oferecida no país por multinacionais, consiste no tratamento mais moderno de diabetes e, por ter efeito prolongado, reduz o índice de eventos de hipoglicemia.

Num primeiro momento, até que saia a certificação da fábrica, a Biomm vai importar o medicamento para venda - o que agora depende apenas da autorização de preço pela Câmara de Regulação de Mercado de Medicamentos (Cmed). Conforme a companhia, a aprovação dá acesso a um mercado estimado em mais de R$ 1 bilhão por ano e com crescimento anual de dois dígitos.

Em entrevista ao Valor, o principal executivo da farmacêutica, Heraldo Marchezini, não fez projeção para as vendas do medicamento, mas lembrou que o potencial de crescimento desse mercado é grande, tendo em vista o avanço do diabetes tipo 2 e do maior acesso a tratamento médico no país. "No Brasil, 80% do mercado é de insulina humana e 20%, glargina. Em outros países, é o inverso. Isso dá uma ideia do potencial", disse.

A Biomm já investiu R$ 180 milhões na fábrica de Nova Lima, de um total de R$ 540 milhões previsto em seu projeto. Em razão do processo de certificação depender dos ritos da Anvisa, a Biomm não faz previsão de data de início da operação fabril. "Preferimos não falar em prazos diante da complexidade de uma fábrica de biotecnologia e dos padrões mais rigorosos de certificação", disse Marchezini.

A Biomm tem uma pequena atividade comercial, concentrada em um creme hidratante específico para pés de diabéticos, o Confort Care, que é produzido pela Affinitá Brasil. Diante do legado da Biobrás, explicou o executivo, a Biomm desenhou uma estratégia claramente voltada a diabetes e também para oncologia, utilizando a plataforma biológica.

A fábrica de Nova Lima recebeu R$ 180 milhões, de um montante total de R$ 540 milhões previsto em seu projeto

Além da produção própria da Glargilin e de uma insulina humana que aguarda registro na Anvisa, a farmacêutica planeja comercializar no país a única insulina inalável disponível mundialmente, a Afrezza, da americana MannKind Corporation, já aprovada pelo FDA (do inglês Food and Drug Administration) e submetida ao aval da agência brasileira. A companhia tem ainda um acordo para distribuição no Brasil do medicamento Herzuma, biossimilar do Trastuzumabe, usado no tratamento do câncer de mama.

De acordo com Marchezini, a Biomm poderá recorrer a uma nova oferta de ações para financiar futuros projetos conforme "as ambições que surjam". A farmacêutica tem ações listadas na B3, no segmento Bovespa Mais, mas liquidez ainda limitada. Ontem, após 141 negócios, os papéis da Biomm lideraram as altas da bolsa paulista com ganho de 23,15%, a R$ 8,67, repercutindo fato relevante relativo à aprovação ao registro da insulina glargina. No fim de maio, a diretoria colegiada da Anvisa deu provimento parcial a recurso impetrado pela Biomm contra o indeferimento do pedido de registro do Glargilin, como tinha deliberado a área técnica da agência em outubro.

Globalmente, comentou o executivo, farmacêuticas especializadas em biotecnologia são públicas e se financiam via mercado de capitais. "A Biomm já nasceu listada e isso vem do conceito das empresas de biotecnologia, que dependem de novos investimentos". (Colaborou Ivan Ryngelblum)