BNDES não tem função de ser sócio eterno, afirma Dyogo

Publicado em 11/06/2018 por Valor Online

BRASÍLIA  -  O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo de Oliveira, afirmou que a participação da instituição deve ser temporária nas empresas investidas. “O BNDES não tem função de ser sócio eterno, seu papel é desenvolver as empresas e deixá-las às suas próprias forças”, disse.

Ele ressaltou que o BNDES tem atuação ampla no mercado de capitais e que o desenvolvimento desse mercado é uma das missões do banco e um caminho natural para o financiamento de projetos de longo prazo.

Nos últimos 15 anos, disse Dyogo, o resultado da carteira do BNDES no mercado foi de 12,6% ao ano, rendimento superior ao CDI e à inflação do período. “Portanto, a gestão da carteira tem sido positiva e trazido bons resultados para o país”, disse.

Exemplificando essa forma de atuação, o presidente citou a venda da participação do banco na Eletropaulo, com valorização de 200%, e de parte da Fibria. “Temos um processo de desinvestimento em curso com venda em empresas maduras”, afirmou, completando que, com essa estratégia, o banco concentra esforço nas empresas nascentes.

Ainda de acordo com Dyogo, é importante que haja compreensão de que esse é um negócio de risco. “Pode ser que empresas apresentem dificuldades. Não se pode olhar para essas operações como se fosse a compra de um produto simples do mercado. O investimento tem componente de risco elevado”, ponderou.

“É importante que haja compreensão desta natureza, o mecanismo de financiamento do mercado, que é diferente do crédito tradicional. O papel do banco é diferente como acionista do que quando credor”, explicou. Segundo Dyogo, não faz sentido fazer conta de trás para frente e dizer que teria sido melhor dar um empréstimo a uma empresa no lugar de ter participação no capital. “São estratégias diferentes. Não há comparação”, afirmou.

Ainda de acordo com o presidente do banco de fomento, é preciso entender que não se dá dinheiro de graça. “A participação no resultado é o dinheiro mais caro, pois o controlador abre mão da melhor rentabilidade que ele poderia ter”, exemplificou.

Em seminário sobre o mercado de capitais no Tribunal de Contas da União (TCU), Dyogo disse que o país vive um momento de restrição fiscal “nunca antes visto” e que a falta de reformas e da adoção de medidas realmente efetivas para controlar os gastos públicos fará a população sofrer “por um bom tempo com déficits que inviabilizam a participação do governo como promotor de investimento”.

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro, ressaltou a importância do mercado do mercado de capitais para o desenvolvimento do país e o papel do BNDES por meio da BNDES-Par de fomentar esse mercado. Carreiro também falou sobre a operações de fiscalização e controle do TCU no mercado de capitais, especialmente nas operações do BNDESPar com grandes empresas.