Bolsa reage bem a balanço da Gerdau no 2º tri

Publicado em 09/08/2018 por Valor Online

Bolsa reage bem a balanço da Gerdau no 2º tri

Por Rodrigo Rocha e Renato Rostás | De São Paulo

O mercado recebeu bem o balanço do segundo trimestre da Gerdau, que viu os efeitos da política protecionista do governo Donald Trump para o aço beneficiarem as operações americanas da companhia, compensando os efeitos negativos da greve dos caminhoneiros e de paralisações operacionais no Brasil.

As ações da empresa fecharam em alta de 3,12%, a segunda maior do Ibovespa, após a empresa anunciar lucro líquido de R$ 694,6 milhões no segundo trimestre, resultado nove vezes maior que o mesmo período do ano anterior. A receita da empresa subiu 31,2% no período, para R$ 12,04 bilhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da Gerdau foi a R$ 1,64 bilhão, aumento de 62,7%.

"Os preços internacionais vem se mantendo em patamar elevado nos últimos meses", afirmou Gustavo Werneck, presidente da Gerdau, em teleconferência sobre os resultados trimestrais. "A economia nos Estados Unidos continua crescendo, o que está se refletindo no consumo de aço."

Nesse sentido, a leitura é de que as reformas adotadas nos Estados Unidos devem continuar contribuindo com operação da companhia. A Gerdau também aguarda um novo pacote do governo Trump para destravar investimentos públicos em infraestrutura. Anunciada em fevereiro, a medida ainda precisa de aprovação do congresso americano.

Para o mercado nacional, a empresa viu com bons olhos boa parte das operações no país, destacando o desempenho da indústria, do varejo e das exportações.

"A indústria tem se tornado ainda mais importante para operação no Brasil", disse Werneck. "Vemos recuperação também no varejo. O segmento deve seguir evoluindo ao longo do ano por conta da menor taxa de juros."

A companhia também destacou o desempenho das exportações, que representaram 36% das vendas físicas de aço produzido nas suas operações brasileiras. As vendas para o mercado externo foram beneficiadas pela desvalorização do real ante o dólar, que compensaram a paralisação programada do segundo alto-forno da unidade de Ouro Branco (MG), voltado especialmente para as exportações.

Werneck não foi tão otimista com relação à construção civil, em que enxerga dificuldades durante o segundo semestre.

"Acreditamos que construção civil de média e alta renda só deve retomar no ano que vem", ponderou o presidente da Gerdau.

Recentemente, a companhia realizou ajuste de preços dos produtos vendidos ao mercado nacional. Segundo Werneck, a elevação aconteceu para compensar aumento de preços no frete e nas matérias-primas.

"Houve um movimento de recomposição de preço no primeiro semestre, mas seguimos avaliando. Temos um prêmio negativo com relação às importações atualmente. Um prêmio positivo, contudo, só deve ocorrer com o crescimento do mercado doméstico", afirmou.

Com relação ao endividamento, as vendas de ativos anunciadas durante o ano compensaram a pressão do câmbio sobre a dívida da Gerdau, pois 84% do montante é denominado em dólares. A Gerdau encerrou junho com dívida líquida de R$ 15,17 bilhões, alta de 12,6% ante março.

De todos os negócios anunciados, apenas a venda da operação americana de vergalhão ainda aguarda as aprovações regulatórias. A expectativa é de que o negócio de US$ 600 milhões seja concluído ainda em 2018, contribuindo com a queda da alavancagem.