Bolsas de Nova York têm maior baixa em três semanas

Publicado em 16/05/2018 por Valor Online

SÃO PAULO  -  As bolsas de Nova York fecharam com a maior baixa em três semanas nesta terça-feira (15), com o Dow Jones interrompendo uma sequência de oito altas consecutivas. O apetite por ativos de risco caiu depois de o rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos disparar e o dólar valorizar-se globalmente. 

No mercado de ações, o Dow Jones fechou em queda de 0,78%, aos 24.760,41 pontos, o S&P 500 caiu 0,68%, aos 2.711,45 pontos, e o Nasdaq recuou 0,81%, aos 7.351,62 pontos. A queda foi generalizada, com baixa nos 11 setores do S&P 500.

A reversão do sentimento no mercado americano reflete a percepção de que, após uma série de dados de atividade nos Estados Unidos, Europa e Ásia, o Federal Reserve (Fed) está inclinado a subir os juros mais rapidamente do que os demais países desenvolvidos. 

Dados do CME Group mostram que o mercado prevê 58,5% de probabilidade de ocorrer ao menos quatro elevações no juro americano neste ano, ante uma expectativa de 48,80% há uma semana e de 42,10% um mês atrás.

Desde o começo de fevereiro, a incerteza quanto ao ritmo de aperto monetário pelo Fed tem puxado para cima o retorno da T-note de 10 anos, ao mesmo tempo em que interrompeu o forte rali das bolsas americanas. Hoje, a T-note de 10 anos chegou a tocar a máxima intradia de 3,093%, para depois fechar em 3,070%, o maior nível desde julho de 2011. Já o yield do título de dois anos subiu a 2,585%, maior nível em cerca de uma década. O yield se move na direção contrária ao preço do título.

VIX

O índice VIX, conhecido como “termômetro do medo” em Wall Street, subia 13,15% no fim do dia, a 14,63, o maior salto em cerca de um mês. O forte movimento de hoje evidencia o quão baixo estava o índice nas últimas sessões, quando rondou as mínimas em torno de leitura a 13. Relatório do Goldman Sachs, divulgado na semana passada, mostra uma série de evidências de que o VIX está descalibrado e não tem refletido corretamente os movimentos de mercado. Nas contas do banco, o indicador deveria estar a 18,7 diante do atual momento do mercado.

Neste cenário, o dólar serviu de refúgio para os investidores e registrou a maior alta em sete semanas. O ICE Dollar Index, que mede a variação do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,70% no fim do dia, aos 93,23, refletindo quedas do euro (-0,72%), da libra (-0,35%) e do iene (-0,59%). A divisa americana também registrou forte ganho ante as moedas emergentes, com depreciações acentuadas do rand sul-africano (-1,90%), da lira turca (-1,78%) e de mais um cesta ampla que inclui o real brasileiro (-0,94%), o rublo russo (-0,75%) e os pesos colombiano (-1,36%) e chileno (-1,16%).

Peso argentino

A exceção foi o peso argentino, que subiu 3,73% no segundo dia de forte intervenção do Banco Central do país. A autoridade monetária colocou mais US$ 5 bilhões de reservas à venda, estabelecendo um teto de 25 pesos por dólar no leilão.

Dados econômicos

Dados divulgados hoje mostraram que a economia da Alemanha desacelerou acentuadamente no primeiro trimestre, enquanto a China mostrou um cenário misto, com desaceleração dos investimentos e das vendas do varejo, mas aquecimento da produção industrial. Já nos EUA, as vendas do varejo subiram 0,3% em abril, o segundo avanço seguido. A leitura veio em linha com a expectativa de consenso, mas os dados de março foram revisados para cima, mais do que se esperava.

Petróleo 

O petróleo estendeu a série de altas, nesta terça, com o contrato do Brent, a referência global, renovando máximas desde novembro de 2014 em meio a tensões no Oriente Médio. O contrato do WTI encerrou em alta de 0,5%, a US$ 71,31 por barril na New York Mercantile Exchange, ainda levemente distante da máxima desde 26 de novembro de 2014, a US$ 71,36. Já o Brent subiu 0,30%, a US$ 78,43 por barril na ICE Futures, em Londres, renovando o maior valor desde novembro de 2014. 

O mercado continua observando as incertezas em relação às sanções dos Estados Unidos contra o Irã e as indicações de que os maiores produtores globais da commodity ainda estão comprometidos em reduzir sua oferta. Os investidores agora aguardam os dados semanais sobre estoques de petróleo nos Estados Unidos, que será divulgado neta quarta (16), assim como relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), programado para o mesmo dia.