Bolsonaro diz ter certeza de que será liberado pelos médicos e poderá participar de debates

Publicado em 11/10/2018 por Terra

Em entrevista, o candidato do PSL também afirmou que o economista Paulo Guedes tem carta branca, mas que 'bate o martelo' somente depois de falar com ele

Bolsonaro diz ter certeza de que será liberado pelos médicos e poderá participar de debates

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, disse em entrevista à RecordTV ter "certeza" que a junta médica que o acompanha vai liberá-lo para participação de debates com o concorrente Fernando Haddad (PT) a partir da próxima semana.

Na manhã desta quarta-feira, 10, o médico Antônio Luiz de Macedo afirmou que Bolsonaro não poderá participar de debates até 18 de outubro. Nesse dia, ele passará por novas avaliações que vão liberá-lo ou não para compromissos de campanha.

"Quinta-feira que vem eu vou a São Paulo e eles com toda certeza me liberam. Estaria disponível para participar de dois debates com o senhor Haddad. Eu teria satisfação de enfrentar o pau mandado de Lula, bem como mostrar para toda a população onde o PT chegará caso chegue ao poder novamente", afirmou.

Bolsonaro comentou ainda que, por recomendações médicas, mesmo que vá aos debates, não poderá viajar pelo País. Desta forma, ele assegurou que vai manter a tática do primeiro turno, de fazer transmissões ao vivo via redes sociais.

"Vou fazer teleconferência para conversar com a gente do Brasil todo, além de manter uma live todo dia às 20h, mostrando a verdade, como sempre", disse.

Bolsonaro disse acreditar ainda que quem "dificilmente" quem votou nele no primeiro turno pode mudar de opinião. "Tem muita gente que já votou em outros candidatos migram para nós agora e diz que estão conosco. Então eu acredito que não é algo diferente da vitória nossa que venha a acontecer no dia 28 de outubro", afirmou.

Candidato diz que Paulo Guedes tem carta branca, mas deve falar com ele

O candidato também afirmou que o economista Paulo Guedes, que o assessora, tem carta branca para formular propostas, mas que somente "bate o martelo" depois de falar com ele. Um trecho da conversa foi divulgado nas redes sociais do candidato.

De acordo com Bolsonaro, Guedes reconhece que "muita coisa tem dificuldade de passar pelo Parlamento". "Ele entende de economia, eu entendo de política. Nós fizemos o casamento neste sentido. Então as reformas que tem de ser feitas, a tributária etc., está praticamente tudo pronto. Está quase tudo com sinal verde, e uma vez a gente chegando, se elegendo, a gente apresenta em janeiro estas propostas", disse.

O candidato do PSL afirmou ainda que pediu a Guedes que, se for eleito, conduza a economia de modo a ter um "dólar compatível e uma taxa juros menor possível."

Bolsonaro se comprometeu ainda em não aumentar impostos e disse que a ideia é "desregulamentar e desburocratizar" a economia. "No linguajar popular, é tirar o Estado do cangote de quem produz. Não temos outra alternativa", afirmou.

O candidato comemorou ainda a reação do mercado ao desempenho eleitoral dele. "O dólar caiu e a bolsa subiu em pontos. Isso é um sinalizador que, entre eu e o (Fernando) Haddad, o mercado prefere a gente", disse.

Bolsonaro sinaliza que não quer privatizar setor elétrico, Banco do Brasil e Caixa

Na entrevista, o candidato do PSL voltou a sinalizar ser contrário às privatizações do setor elétrico e de bancos estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

Bolsonaro disse que "botou na mesa" a questão para Paulo Guedes. "Eu cheguei e disse: 'Paulo, o que a gente precisa é de um dólar compatível, uma taxa de juros menor possível, pagar a dívida interna, privatizar alguma coisa, não é tudo. Vamos preservar aqui o setor elétrico, Furnas, Banco do Brasil, Caixa Econômica'", contou o candidato à emissora.

O candidato se colocou ainda disposto a fazer parcerias com "países de primeiro mundo", como por exemplo no setor minero-metalúrgico.

"Estamos prontos a fazer parcerias, nós não temos recursos para pesquisa na área mineral e quem diga até criar uma siderúrgica específica neste setor. Mas, com parcerias, o que nós temos de recursos naturais e com tecnologia deles dá para gente agregar valor naquilo que a gente está produzindo. Não dá pra gente continuar mandando para fora um navio de minério de ferro e receber em troca uma jangada de aço. Até porque estes recursos minerais tem uma vida útil, daqui a pouco não temos mais no Brasil", disse o capitão.

Estadão Conteúdo

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