Carteira ajudará mais no resultado do ano que vem, diz BB

Publicado em 10/08/2018 por Valor Online

Carteira ajudará mais no resultado do ano que vem, diz BB

Silvia Costanti/Valor

Paulo Caffarelli: "Foi estancada essa perda que a gente tinha no crédito"

O crédito deve voltar a dar contribuição mais positiva para o resultado do Banco do Brasil (BB) a partir do ano que vem, depois da arrumação de casa promovida pela instituição para eliminar operações pouco rentáveis.

"Estamos na rota correta. O importante é que foi estancada essa perda que a gente vinha tendo no crédito", afirmou ontem o presidente do BB, Paulo Caffarelli, em entrevista a jornalistas.

A margem financeira bruta encolheu 4,7% no segundo trimestre, quando comparado ao mesmo período do ano passado, para R$ 12,595 bilhões. Apenas nas operações de crédito, o recuo foi de 0,4% - sexto trimestre consecutivo de queda, embora o ritmo dessa perda tenha diminuído.

Mesmo com a margem sob pressão, o BB teve crescimento de 22,3% no lucro líquido, que alcançou R$ 3,24 bilhões em termos ajustados (excluindo itens extraordinários e não recorrentes).

A melhora decorreu principalmente da redução do risco nas operações de crédito. As despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos (PDD) diminuíram 31,9% e ficaram em R$ 3,583 bilhões nos três meses encerrados em junho. O índice de inadimplência recuou para 3,34% no fim do segundo trimestre, ante 3,65% em março e 4,11% na metade do ano passado.

"O resultado atual é um mix de limpeza e também desse processo de construção de novas safras [de crédito], que vem sendo feito desde o ano passado. É um resultado bem ancorado e de melhor qualidade", afirmou Márcio Hamilton, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos do BB.

De acordo com Bernardo Rothe, vice-presidente de gestão financeira, a margem financeira deve ajudar mais no resultado a partir de 2019. Porém, uma melhora já deve ser vista no segundo semestre.

O banco tem procurado recompor os spreads após a perda de rentabilidade provocada pela política de empréstimos fartos e juros baixos do governo anterior. Por isso, a instituição sinalizou que não deve entrar numa disputa com os concorrentes por participação de mercado. "A premissa é que não estamos preocupados com market share, e sim com rentabilidade. A gente não pode fazer um aumento de risco de forma generalizada", disse Caffarelli. "Quando merecer ser mais ousados, seremos."

A carteira de crédito ampliada do BB, que inclui avais, fianças e títulos, somava R$ 685,462 bilhões no fim de junho. O estoque de operações aumentou 1,5% em relação a março, mas caiu 1,5% na comparação com o meio do ano passado. Foi o único dos grandes bancos de capital aberto a encolher na comparação anual. A queda se deveu ao desempenho ainda retraído do portfólio de empresas, especialmente micro, pequenas e médias. O saldo de empréstimos e financiamentos a pessoas físicas cresceu.

Caffarelli disse esperar que o segundo semestre seja melhor para as operações com pessoa jurídica. Entre os motivos, apontou as projeções de inflação abaixo do centro da meta, a normalização da economia após a greve dos caminhoneiros e investimentos que terão de ser feitos independentemente das eleições.

As ações do BB fecharam ontem a R$ 33,60, com alta de 2,97%. O Ibovespa caiu 0,48%. "O segundo trimestre mostrou números bons, reforçando nossa visão de que o ciclo de crédito está mudando", disseram analistas do UBS em relatório a clientes.