Cautela prevalece e Ibovespa fecha em baixa de 0,20%

Publicado em 11/07/2018 por Diário do Sudoeste

A queda acentuada do dólar e a alta das bolsas de Nova York não foram suficientes para sustentar o Índice Bovespa no terreno positivo nesta terça-feira, 10. O índice chegou a subir mais de 1% pela manhã, mas esbarrou na prudência do investidor ante as incertezas do cenário. Ao final dos negócios, o Ibovespa marcou 74.862,38 pontos, em baixa de 0,20%. Os negócios somaram R$ 10,8 bilhões.

Pela manhã, a alta da Bolsa se justificou em grande parte pelos ajustes de preços em relação às bolsas de Nova York, que operaram em alta na segunda-feira, enquanto o mercado brasileiro esteve fechado. A alta perdeu fôlego gradativamente, até a virada para o negativo, no início da tarde. O movimento vendedor atingiu a maioria das blue chips, mas foi puxado por ações dos segmentos financeiro e de mineração e siderurgia. Os papéis da Petrobras subiram durante boa parte do pregão, mas terminaram por sucumbir à queda na última hora de negócios.

Em um ambiente de agenda escassa, um dos principais assuntos do dia foi o noticiário do fim de semana, com o imbróglio jurídico em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre analistas e operadores, a percepção foi de que a batalha jurídica em torno da liberdade do líder petista não chegou a influenciar diretamente os negócios, mas reforçou o clima de incerteza que mantém muitos investidores distantes da Bolsa.

"A queda da bolsa não seguiu notícia específica ou fundamento, indicando que houve uma realização de lucros recentes. O noticiário em torno do ex-presidente Lula talvez tenha gerado desconforto pela confusão que foi gerada, pela repercussão internacional que teve", disse Fabrício Stigliano, analista da corretora Walpires. "O investidor fica em dúvida sobre até que ponto as decisões são jurídicas ou políticas. Na dúvida, alguns param para analisar se vale a pena a exposição ou se é melhor continuar fora do mercado", afirmou.

Entre as ações que compõem a carteira do Ibovespa, a maior baixa ficou com a exportadora Suzano ON, que seguiu a desvalorização do dólar e caiu 5,11%. Já a maior alta do índice ficou com Braskem PNA (+6,58%), influenciada pela expectativa de que um acordo com os holandeses da LyondellBasell pela participação da Odebrecht na petroquímica seja concluído até outubro.

Os papéis da Eletrobras perderam 2,75% (ON) e 1,66% (PNB), depois que a Justiça Federal do Rio de Janeiro concedeu liminar para suspender o pregão eletrônico do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que iria contratar uma consultoria para avaliar e modelar a privatização da companhia.