Combustíveis e passagens aéreas pressionam inflação de setembro

Publicado em 05/10/2018 por Valor Online

RIO  -  Os preços dos combustíveis e das passagens aéreas subiram com força em setembro e pressionaram o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou alta de 0,48%, após deflação em agosto.

Conforme dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços dos combustíveis subiram 4,18% em setembro, após queda de 1,86% um mês antes. Esses preços tiveram impacto de 0,24 ponto percentual no índice, quase a metade da leitura do mês.

Com exceção do gás veicular, que desacelerou em setembro (0,85%), os demais combustíveis apresentaram altas no mês: gasolina (de -1,45% em agosto para 3,94% em setembro), etanol (de -4,69% em agosto para 5,42% em setembro) e óleo diesel (de -0,29% para 6,91%).

Segundo Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa, a alta dos combustíveis reflete a valorização do dólar e do preço do barril de petróleo no mercado internacional, que se refletiram em reajuste médio de 7% nas refinarias do país.

A inflação do grupo de Transportes - que inclui os preços dos combustíveis - acelerou, desta forma, para 1,69% em setembro, após decréscimo de 1,22% um mês antes. Dentro desse grupo, o item passagem aérea também pressionou, com alta de 16,81%, invertendo o rumo de agosto, quando apresentou baixa de 26,12%.

"As passagens aéreas foram o segundo maior impacto individual sobre a inflação do mês, de 0,05 ponto percentual, atrás apenas da gasolina, que foi o maior impacto individual, com contribuição de 0,18 ponto", disse Gonçalves.

Por sua vez, Alimentação e bebidas, responsável por um quarto das despesas das famílias brasileiras, tiveram alta média de 0,10% em setembro, após dois meses em deflação.

Considerando apenas os alimentos para consumo em casa (o que exclui restaurantes, lanchonetes, bares), os preços ficaram estáveis em setembro, após uma baixa de 0,72% em agosto. Destacaram-se alimentos como frutas (4,42%), arroz (2,16%) e o pão francês (0,96%).

No lado das quedas, o IBGE destacou os preços da cebola (-12,85%), batata-inglesa (-8,11%), leite longa vida (-5,82%), farinha de mandioca (-5,54%) e ovos (-2,15%).

Já o grupamento da alimentação fora de casa - cujos preços são considerados serviços, como lanchonetes e bares - teve alta de 0,29%, com destaque para o lanche (0,57%) e a refeição (0,19%).