Correção das bolsas de NY vai continuar, dizem gestores

Publicado em 09/02/2018 por Valor Online

As bolsas americanas podem ainda enfrentar um ajuste negativa de até 5% antes de retomarem a trajetória de crescimento, afirma James Gulbrandsen, diretor de investimentos para a América Latina e gestor do fundo global da americana NCH. "Volatilidade traz volatilidade e, quando você entra numa fase de queda relevante e forte, a tendência é que continue até que os fatores mais técnicos do mercado comecem a importar mais", diz. Segundo o diretor da NCH, "tecnicamente, os ETFs atrelados aos principais índices [S&P 500, Dow Jones e Nasdaq] têm potencial de cair mais 3% ou 5% [em relação ao fechamento de ontem]". Os fantasmas de uma inflação mais alta que force o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a elevar os juros acima do esperado voltaram a assombrar o sentimento do mercado acionário em Nova York ontem. Os principais índices americanos mergulharam de novo nas perdas. O Dow Jones perdeu mais de mil pontos na sessão, enquanto o S&P 500 caiu quase 4% e renovou a mínima da semana. Para Gulbrandsen, o índice S&P 500, principal referência da bolsa de Nova York, pode cair para abaixo de 2.500 pontos, "que é a média móvel de 200 dias, quase o preço médio do ano passado". Isso significa um recuo de mais de 3% em relação ao fechamento do S&P 500 na quinta-feira. "Nesse nível, voltamos para patamares perto de junho do ano passado e eliminamos oito meses de ganho para começar o ano de novo. Acho isso saudável." Yves Bonzon, executivo-chefe de investimentos do Julius Baer no Brasil, faz análise semelhante. "O mergulho do mercado pode ser algo saudável no médio prazo para prolongar a tendência de alta do mercado acionário dos EUA", considerou. Conforme Bonzon, existe até mesmo um impacto positivo do recente deslize das bolsas americanas para a condução da política monetária pelo Fed. "O declínio dos preços dos ativos reduz o risco de um erro de política monetária, porque o Fed, provavelmente, vai agir mais cautelosamente agora", ponderou A onda de vendas teve como principal gatilho a subida dos "yields" dos Treasuries, movimento que tem sido "magnificado pela liquidação da exposição excessiva em baixa volatilidade nos mercados", afirmou o chefe de gestão do Julius Baer. De acordo com o gestor da NCH, o recuo faz parte de um ajuste para "resetar" o mercado, que "subiu excessivamente desde a metade do ano passado". Gulbrandsen afirmou que o fundo global da gestora tem mantido o foco em proteção de capital desde o início do ano. "Tentar adivinhar qual será a mínima do mercado é uma estratégia perigosa", pondera o especialista. Para Gulbrandsen, "o mercado nos EUA em 2017 não foi saudável, pois só subiu, com pouca volatilidade: as ações tiveram menos volatilidade que a renda fixa, mas com um retorno três vezes maior". Stephen Dover, vice-presidente executivo e chefe da área de renda variável da Franklin Templeton, chama a atenção para o "quadro maior". Segundo o gestor, "apesar de não sabermos até onde vai a onda de alta volatilidade do mercado acionário americano, é importante considerar o grande quadro e não ser pego pelo sentimento de curto prazo". De acordo com o executivo da Franklin Templeton, os fundamentos do mercado ainda permanecem sólidos. "Os investidores de ações tiveram bons retornos por muitos anos até agora, então vejo uma correção do mercado como saudável", afirmou. Na visão de Dover, o ajuste dos preços dos ativos ocorrido ao longo da semana pode ser uma oportunidade de melhorar a eficiência das novas alocações dos portfólios. "Os investidores não deveriam confundir mercados com economia", disse. Para o vice-presidente da Franklin, o ambiente econômico hoje reúne um crescimento global sólido e real, a companhias que têm apresentado menor nível de endividamento, boa visibilidade do horizonte de lucratividade, preços em alta e fluxo de caixa positivos. "As empresas deveriam se manter bem mesmo em um cenário de política monetária mais apertada e juros em elevação."