CSN volta a prometer venda de ativos para diminuir dívida

Publicado em 09/08/2018 por Valor Online

CSN volta a prometer venda de ativos para diminuir dívida

Silvia Zamboni/Valor

Steinbruch, presidente e principal acionista, espera reduzir em US$ 1,5 bilhão a alavancagem até fim de outubro

No mesmo dia em que anunciou o acordo final com a Caixa Econômica Federal para alongar o vencimento de suas dívidas com o banco estatal, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) voltou a prometer ao mercado que venderá mais ativos para acelerar o processo de redução de seu endividamento.

O presidente e principal acionista da empresa, Benjamin Steinbruch, disse que até o fim de outubro espera reduzir em US$ 1,5 bilhão a alavancagem, provavelmente com o anúncio de uma operação de venda de minério de ferro futuro e a alienação de algum negócio no exterior.

Para o empresário, os ativos estrangeiros são os de maior probabilidade de venda porque contabilizam seus resultados em "moeda forte" - em relação ao real, desvalorizado - e atuam em mercados maduros, que têm demonstrado desempenho melhor nos últimos tempos.

O processo de "streaming" do minério de ferro, que funciona basicamente como um pré-pagamento de clientes específicos por um fluxo futuro de produção, deve ser dividido em três parcelas, explicou o executivo em teleconferência com investidores para comentar o resultado do segundo trimestre. A ideia é estabelecer um percentual da produção e não um volume fixo.

"Fomos à Europa em junho para ampliar a participação de nosso 'pellet feed' [material de minério de ferro destinado à produção de pelotas] e vender uma participação da mineração. Falando com potenciais compradores, apareceu a oportunidade de fazer a operação de 'streaming', que não era o objetivo inicial, mas a conversa se estruturou de maneira rápida e consistente", comentou Steinbruch.

A área de mineração, assim, poderia atender por cerca de metade desses US$ 1,5 bilhão a serem levantados, com potencialmente duas operações de "streaming". A outra parcela viria da venda de ativos estrangeiros, entre eles a SWT, da Alemanha, e a Lusosider, de Portugal.

"Meu desafio pessoal é chegar a uma alavancagem [dívida líquida/Ebitda] de 3,5 vezes no fim do ano", disse Steinbruch. "Disseram muito que eu não venderia ativos, mas já vendemos [a LLC, dos Estados Unidos] e o Marcelo [Ribeiro, diretor financeiro] está autorizado a vender o restante para desalavancar. Já há bancos contatados no exterior."

Paralelamente, a CSN quer se concentrar cada vez mais no mercado interno, onde tem conquistado maior participação. Entre as ações possíveis, Luis Martinez, diretor comercial da companhia, citou a conversão de uma linha de aço cromado em zincado, com 150 mil toneladas de capacidade anual. Há também o projeto de uma nova linha de revestidos, de até 400 mil toneladas, que custaria cerca de R$ 800 milhões.

Antes da teleconferência, pela manhã, a siderúrgica informou ter fechado acordo de reperfilamento da dívida com a Caixa. Pelos termos, a maior parte dos pagamentos, ou R$ 9,6 bilhões, ocorrerá de 2023 em diante.

Entre abril e junho, a CSN registrou receita líquida de R$ 5,68 bilhões, alta de 32% em comparação anual, Ebitda ajustado de R$ 1,42 bilhão, crescimento de 58%, e lucro líquido atribuído a controladores de R$ 1,16 bilhão, revertendo prejuízo de R$ 659 milhões um ano antes.