Custo alto encolhe emissão externa da CSN

Publicado em 09/02/2018 por Valor Online

A volatilidade presente nos mercados internacionais desde a última sexta-feira prejudicou os planos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de levantar US$ 1 bilhão no exterior. Ontem, a empresa captou apenas US$ 350 milhões em bônus de cinco anos pagando um retorno ao investidor ("yield") de 7,875% - teto da taxa indicada na abertura da operação -, considerado alto pela própria empresa, segundo o Valor apurou. A situação global fez com que os investidores ficassem avessos a riscos mais altos, como é o caso da siderúrgica, cobrando mais prêmio para comprar os papéis. Pela estimativa de um banqueiro, os títulos poderiam ser vendidos com uma taxa de até 100 pontos-base menor se a operação tivesse sido lançada na semana passada. Diferentemente de janeiro, conta o interlocutor, o investidor hoje está mais resistente a aceitar redução nas taxas. "Três grandes nomes fizeram ordens de US$ 100 milhões cada para a taxa de 8%, mas retiraram com indicação de taxa perto de 7,90%. Eles não aceitaram nem 10 pontos de diferença", diz. Diante desse custo, a gigante de siderurgia desistiu dos planos de levantar US$ 1 bilhão em bônus e vendeu um montante menor para não ficar presa com uma dívida tão cara. A estratégia foi manter a operação para ter novos compradores para seus papéis, possibilitando um retorno ao mercado assim que as condições estiverem melhores. Procurada, a CSN não quis comentar. Nesse cenário, a oferta de recompra anunciada na última semana deve se limitar a US$ 350 milhões. A intenção da empresa é tirar prioritariamente títulos com vencimento em 2019 e, o que sobrar, vai para os de 2020. A CSN tinha certa urgência em conseguir rolar esses papéis. Ela ainda não assinou definitivamente a renegociação de vencimentos com a Caixa Econômica Federal, tendo fechado apenas com o Banco do Brasil. Os termos com a Caixa já estão acertados, mas ainda faltavam alguns compromissos, segundo uma fonte: a recompra dos bônus e a venda de um ativo de valor relevante. A emissão dos títulos e alongamento da dívida aliviam um pouco a situação da empresa. Sobram cerca de R$ 7,5 bilhões de dívida a pagar até o fim de 2019, levando em conta o câmbio atual e a recompra das notas de 2019, com caixa de aproximadamente R$ 4 bilhões, segundo dados de setembro. Os cálculos não levam em conta a geração de caixa desde então, nem desinvestimentos. Os ativos com maior probabilidade de serem alienados são a participação na concorrente Usiminas, de 16,4% do capital social que a valor de mercado atual valeriam R$ 2,5 bilhões, e a LLC, uma laminadora nos Estados Unidos. O Valor apurou que o ativo americano, apesar da alta qualidade, é muito de nicho, e a CSN enfrenta dificuldades de enviar a matéria-prima (laminados a quente) por conta de uma tarifa antidumping. A oferta de bônus foi coordenada por BB Securities, Bank of America Merrill Lynch (BofA), Bradesco BBI e Morgan Stanley.