CVM investiga executivos de estatal

Publicado em 12/10/2017 por Jornal O Estado do Ceará

A Câmara de Valores Mobiliários (CVM) está investigando 40 pessoas por irregularidades contábeis na Petrobras. Na lista, estão três ex-presidentes da companhia, parte da diretoria atual e ex-conselheiros ligados aos governos de Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. As investigações apuram uma série de divergências nos procedimentos de baixa do valor contábil de ativos, conhecidos como impairments, na antiga Área de Abastecimento da companhia, hoje chamada de Refino e Gás.

A informação foi antecipada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e confirmada pela reportagem da Folhapress, ontem. O processo está em fase de espera do pronunciamento da defesa dos investigados. Em 2014, após a descoberta do esquema de corrupção na estatal pela Operação Lava Jato, a Petrobras reduziu o valor de seus ativos em R$ 44,3 bilhões, diante da revisão de perspectivas de ganhos com alguns dos projetos investigados e da queda do preço do petróleo no mercado internacional. Entre os citados pela CVM, estão os ex-presidentes José Sérgio Gabrielli, Graça Foster e Aldemir Bendine.

Além deles, figuram também os executivos que compuseram a diretoria nas três gestões e ex-conselheiros, como o ex-presidente do Bndes, Luciano Coutinho e a ex-ministra-chefe do Planejamento, Mirian Belchior. A lista inclui os atuais diretores Solange Guedes (Exploração e Produção), Jorge Celestino (Refino e Gás), Hugo Repsold (Assuntos Corporativos), Ivan Monteiro (Financeiro) e Roberto Moro (Desenvolvimento da Produção e Tecnologia). Eles são investigados por descumprimento do chamado "dever de diligência", que determina que zelem pela saúde financeira da companhia. A Petrobras não se manifestou sobre o assunto.