Defesa de acordos multilaterais abre encontro Brasil-Alemanha

Publicado em 14/11/2017 por Jornal do Comércio - RS

Evento anual de cooperação entre governos e entidades industriais de ambos os países, a 35ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA) foi aberta nesta segunda-feira, na Capital, com discursos em defesa dos acordos multilaterais. Principalmente do lado alemão, as críticas recaíram sobre a atual conjuntura geopolítica, com ênfase na atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Falando em blocos comerciais, ambos os países ainda enfatizaram o apoio ao fechamento do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, esperado para o fim do ano, após quase duas décadas de negociação.
Presidente para a América Latina da BDI, a federação industrial alemã, Andreas Renschler argumentou, durante a cerimônia de abertura, que os acontecimentos do último ano têm afetado a forma de se fazer negócios globalmente. "Ainda não superamos o Brexit e continuamos surpresos com decisões dos Estados Unidos, o que tem levantando muitas interrogações quanto à globalização. Mas seguimos defendendo o comércio livre e justo", reforçou Renschler, que garantiu que o livre comércio assegura competitividade e geração de riquezas. "Haverá perdedores, é claro, e estes precisam ser acolhidos por políticas públicas. Simplesmente fechar as portas não é o caminho correto", acrescentou o dirigente, que é também executivo da Volkswagen.
Vice-ministro alemão para assuntos econômicos e de energia, Mathias Maching seguiu o mesmo discurso, argumentando que os discursos de Trump, nos quais tem declarado que cada país deveria cuidar de seus interesses, poderiam ser contrapostos aos resultados da globalização nas últimas décadas. "O século XXI será marcado por formas de cooperação mais intensas entre os Estados. Precisamos fomentar acordos que não sejam apenas bilaterais, mas também na esfera global", declarou.
Maching defendeu a atuação da Organização Mundial do Comércio (OMC), elogiando a regulação do comércio internacional com regras claras, e declarou apoio ao pedido de ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). "Não é um clube qualquer, quem entra tem que cumprir o seu papel em questões de transparência e democracia, e o Brasil se mostra disposto a aceitar esse desafio".
Representante do Itamaraty, o secretário-geral das Relações Exteriores, Marcos Galvão, ressaltou que a relação entre os dois países é de uma parceria estratégica entre duas das 10 maiores economias do mundo que são "complementares entre si", acrescentando que há 1,6 mil empresas de raízes alemãs no Brasil. Galvão também argumentou que ambas as nações possuem objetivos em comum, como a defesa dos direitos humanos e o combate ao aquecimento global e a medidas protecionistas. O embaixador aproveitou o momento para saudar o fim da recessão econômica no Brasil, ressaltando projeções de crescimento de 1% para 2017 e de 2,5% para 2018 no Produto Interno Bruto do País.