Dólar opera estável e Bolsa tem leve queda após rebaixamento pela S

Publicado em 12/01/2018 por O Globo

Notas de dólar. Foto: Dado Ruvic/Reuters

RIO e SÃO PAULO - O Ibovespa se mantém no campo negativo nesta tarde, mas os investidores reagem com cautela ao rebaixamento da nota de risco soberano do Brasil, de "BB" para "BB-" pela agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P). Para o mercado, o rebaixamento já estava "precificado", o que significa que já era dado como certo. O Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, recua 0,35% aos 79.087 pontos, ainda assim no patamar de 79 mil pontos. Nesta semana, o Ibovespa atingiu seu recorde histórico na segunda-feira atingindo o patamar de 79.378 pontos.

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O dólar opera com estabilidade e é negociado a R$ 3,21, acompanhando o movimento da divisa no exterior. Lá fora, o dollar spot, indicador que acompanha o comportamento da moeda americana frente a uma cesta de dez moedas, se desvaloriza 0,60%.

- O mercado aguardava essa notícia, por isso a reação já estava precificada. Além disso, o efeito de curto prazo da medida é mínimo e não causa grandes grandes oscilações na Bolsa. Para o mercado, a recuperação da economia, com consenso de melhora do PIB e um ambiente de juros baixos e inflação controlada impactam mais do que a nota de rating - avalia Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial Research.

Mesmo depois da teleconferência com a diretora de ratings soberanos da agência de classificação de risco S&P, Lisa Schineller, o mercado opera sem sobressaltos.

- Ninguém foi pego de durpresa com este rebaixamento. Mas o que chamou a atenção na teleconferência é que a S&P dá como certa a não aprovação da reforma da Previdência em ano eleitoral. Com isso, as outras duas agências de risco (moody s eFitch) podem seguir o mesmo caminho de rever o rating do país - diz Pedro Galdi, analista da corretora Magliano.

A demora na implementação do ajuste fiscal e a incerteza política sobre as eleições presidenciais foram os principais fatores que levaram ao rebaixamento, informou a S&P. A agência citou ainda o "progresso mais lento que o esperado" e o menor apoio da classe política do país para implementar uma "legislação significativa" para corrigir os problemas fiscais em tempo hábil como causas.

A perspectiva do país ficou estável, ou seja, não deve haver mudanças a curto prazo - a agência, porém, não descarta um corte no ano que vem, se o quadro fiscal não apresentar melhora significativa. A nota representa grau especulativo e coloca o Brasil no mesmo patamar de Bangladesh e República Dominicana, segundo a agência de notícias Bloomberg.

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Na Bolsa, os ativos que puxam o pregão para cima são principalmente os da indústria pesada e de celulose. O maior impacto positivo vem da Vale, cujas ações sobem 0,5% a R$ 43,52. Em seguida, a Usinimas avança 3,70% a R$ 11,20, e a CSN tem alta de 2,58% a R$ 11,13.

Outros destaques positivos ficam com a Metalurgica Gerdau, que sobe 0,9% a R$ 6,74, e com o setor de celulose: enquanto a Fibria sobe 0,86%, a Suzano tem valorização de 0,26%.

Já a Petrobras ajuda a puxar o pregão para baixo. Os papéis ordinários (ON, com direito a voto) da empresa caem 0,33% a R$ 18,16; e os preferenciais (PN, sem direito a voto) recuam 0,64%, a R$ 17,14.

Entre os bancos, o Itaú Unibanco é o ativo que mais exerce pressão negativa: suas ações caem 0,64%. Tanto o Bradesco como o Banco do Brasil recuam 0,56%.