Economia brasileira encolheu 0,13% no primeiro trimestre, aponta Banco Central

Publicado em 16/05/2018 por O Globo

Sede do Banco Central do Brasil. Foto Aílton de Freitas / Agência O Globo

BRASÍLIA - A economia brasileira frustrou as expectativas e encolheu 0,13% no primeiro trimestre. É o que revela o índice do Banco Central que mede a atividade do país (IBC-BR), divulgado na manhã desta quarta-feira. A previsão dos analistas do mercado financeiro era de uma alta de 0,2% nos três primeiros meses do ano. No mês de março, o índice teve retração de 0,74%.

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Em relatório a clientes, o Banco Bradesco afirmou que a queda do IBC-Br em março reforça o cenário de retomada gradual da atividade:

"Esse resultado, somado a outros indicadores de atividade divulgados anteriormente, indicam uma retomada mais gradual da atividade econômica, em linha com nossa projeção de crescimento de 0,3% do PIB no primeiro trimestre deste ano", diz o banco.

Dúvidas sobre velocidade da retomada

Apesar de confirmar que a recuperação da economia está em curso, o Bradesco reconhece que existem dúvidas quanto à velocidade da retomada, que se dá num ritmo menor que o necessário para alcançar a projeção do banco de uma expansão de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018.

"Para os próximos trimestres, entendemos que a recuperação econômica seguirá seu curso, especialmente diante do estímulo monetário atual mas existem dúvidas sobre a velocidade de retomada, que vem se mostrando menor do que a necessária para a concretização da nossa projeção de crescimento de 2,5%", diz o texto.

O que é o IBC-Br

O IBC-Br foi criado pelo BC para ser uma referência do comportamento da atividade econômica que sirva para orientar a política de controle da inflação pelo Comitê de Política Monetária (Copom), uma vez que o dado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) é divulgado pelo IBGE com defasagem em torno de três meses. Tanto o IBC-Br quanto o PIB são indicadores que medem a atividade econômica, mas têm diferenças na metodologia.

O indicador do BC leva em conta trajetória de variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (indústria, agropecuária e serviços).

Já o PIB é calculado pelo IBGE a partir da soma dos bens e serviços produzidos na economia. Pelo lado da produção, considera-se a agropecuária, a indústria, os serviços, além dos impostos. Já pelo lado da demanda, são computados dados do consumo das famílias, consumo do governo e investimentos, além de exportações e importações.