Em tímida reação ao rebaixamento da nota do país, Bolsa opera em queda de 0,3%

Publicado em 12/01/2018 por O Globo

Notas de dólar. Foto: Dado Ruvic/Reuters

RIO - Na manhã seguinte ao rebaixamento da nota de risco soberano do Brasil, de "BB" para "BB-" pela agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P), a Bolsa opera em tímida queda, devolvendo parte dos ganhos das últimas semanas. Na B3, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro recua 0,34%, para 79.094 pontos - ainda assim, próximo ao recorde histórico alcançado no dia 8 de janeiro, quando o índice fechou o pregão a 79.378 pontos.

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O dólar, por sua vez, é negociado perto da estabilidade. Com alta de 0,03%, a moeda americana avança para R$ 3,215 - a mínima da moeda desde o dia 28 de novembro -, acompanhando o movimento da divisa no exterior. O dollar spot, indicador que acompanha o comportamento da moeda americana frente a uma cesta de dez moedas, se desvaloriza 0,60%.

- O mercado aguardava essa notícia, por isso a reação já estava precificada. Além disso, o efeito de curto prazo da medida é mínimo e não causa grandes grandes oscilações na Bolsa. Para o mercado, a recuperação da economia, com consenso de melhora do PIB e um ambiente de juros baixos e inflação controlada impactam mais do que a nota de rating - avalia Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial Research.

A demora na implementação do ajuste fiscal e a incerteza política sobre as eleições presidenciais foram os principais fatores que levaram ao rebaixamento, segundo informou a S&P.

A perspectiva ficou estável, ou seja, não deve haver mudanças a curto prazo - a agência, porém, não descarta um corte no ano que vem, se o quadro fiscal não apresentar melhora significativa. A nota representa grau especulativo, ou seja, aponta risco para os investidores, e coloca o Brasil no mesmo patamar de Bangladesh e República Dominicana, segundo a agência de notícias Bloomberg.

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Na Bolsa, os ativos que puxam o pregão para cima são principalmente da indústria pesada e de celulose. O maior impacto positivo vem da Vale, cujas ações sobem 0,5% a R$ 43,52. Em seguida, a Usinimas avança 3,70% a R$ 11,20; e a CSN tem alta de 2,58% a R$ 11,13.

Outros destaques positivos ficam com a Metalurgica Gerdau, que sobe 0,9% a R$ 6,74, e com o setor de celulose. Enquanto a Fibria sobe 0,86%, a Suzano tem valorização de 0,26%.

Já a Petrobras ajuda a puxar o pregão para baixo. Enquanto os papéis ordinários (ON, com direito a voto) da empresa caem 0,33% a R$ 18,16, os preferenciais (PN, sem direito a voto) recuam 0,64%, a R$ 17,14.