Especular não é para iniciante; dito isso, investidor deve entender dinâmica cambial

Publicado em 13/09/2018 por Folha de S. Paulo Online

Com um cenário atual cheio de variáveis internas e externas influenciando a cotação do dólar e as previsões de agentes financeiros sendo revisadas com muita frequência, o mantra para o investidor iniciante é não especular com o dólar.

Isso significa que ele deve encarar a compra da divisa como fator de proteção.

Dito isso, há três possíveis atitudes para o investidor diante do sobe e desce da cotação da moeda americana.

Se acredita que o dólar seguirá ficando mais caro frente ao real, ele pode aproveitar a tendência de quatro maneiras.

Uma é comprar diretamente a moeda, por meio de casas de câmbio, com a possibilidade de revendê-la com lucro mais adiante.

A segunda opção é investir em fundos cambiais. A estratégia é seguir a cotação da moeda estrangeira, mas a vantagem é que a aplicação nesse tipo de produto é feita em real.

Outra alternativa é começar a investir ou -para quem já tem alocações nesse perfil- aumentar sua posição em empresas "dolarizadas" de capital aberto.

Nessas companhias, que estão listadas na Bolsa, as principais fontes de receita advêm de exportação.

A quarta sugestão é investir em derivativos e, mais especificamente, em contratos futuros de dólar, que são acordos de compra ou venda em que se negocia na data presente o valor da moeda americana em uma data futura.

Agora, se o investidor acredita que o dólar ficará mais barato, seu principal instrumento para apostar nessa tendência de queda é, além dos contratos futuros de dólar, a realização imediata de lucros caso ele possua dólar em espécie, saque do dinheiro em fundos cambiais ou venda de ações "dolarizadas" com valorização em sua carteira atual.

Se o objetivo é obter ganhos, que o lucro seja colocado no bolso de fato.

Quem ainda não tem opinião formada sobre a valorização ou não do dólar, mas entende que é importante manter a moeda como parte de sua estratégia de investimentos, não precisa se desesperar.

Sua visão prática deve ser a de usar as divisas para se proteger --ou "fazer hedge" como se costuma dizer no jargão do mercado financeiro.

Para isso, o investidor deve definir um percentual de seu patrimônio que pode ser dolarizado e respeitá-lo, comprando a mercado quando o volume total estiver abaixo do limite definido e vendendo quando ele for ultrapassado.

Nesse tipo de situação, a cotação da moeda em cada momento não é tão relevante, mas o preço médio que é formado na carteira.

Por fim, é importante lembrar que todas as estratégias apresentadas podem ser usadas em conjunto ou selecionadas de acordo com o perfil do investidor.

Ele deve sempre ter em mente, porém, que não é possível cravar com exatidão qual será a cotação futura da moeda americana.

Isso porque tanto a reação do mercado --isto é, o fluxo de capital-- quanto a posição do Banco Central, que atua sempre que entende que há distorção na cotação, podem ser amplificadas de acordo com eventos aparentemente não relacionados.

Entre esses elementos estão, por exemplo, não apenas os rumos políticos do Brasil, mas também decisões sobre juros no exterior.

Conrado Navarro é especialista em finanças pessoais da Modalmais