EUA anunciam novas tarifas contra a China

Publicado em 11/07/2018 por Valor Online

EUA anunciam novas tarifas contra a China

Os Estados Unidos decidiram que vão impor tarifas adicionais de 10% sobre US$ 200 bilhões em importações da China, divulgando uma lista de produtos alvos, o que marca uma escalada na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, segundo comunicado divulgado ontem pelo escritório da Representação Comercial dos EUA (USTR).

"Por um ano, o governo Trump tem pacientemente instado a China a parar com suas práticas injustas, abrir seu mercado e se engajar num mercado verdadeiramente competitivo", disse o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, em comunicado. "Infelizmente, a China não mudou seu comportamento, comportamento que coloca o futuro da economia dos EUA em risco. Em vez de lidar com nossas preocupações legítimas, a China começou a retaliar produtos americanos. Não há justificativa para tal ação."

As novas tarifas podem entrar em vigor em 30 de agosto, após um período de consultas públicas para definição da lista final de produtos. A nova lista proposta pela Casa Branca inclui bens de consumo como roupas, componentes de televisão e refrigeradores, assim como itens de alta tecnologia. Porém, a lista omite alguns produtos estratégicos, como celulares.

A medida atraiu imediatamente críticas de grupos empresariais e de legisladores americanos, como o presidente da comissão de Finanças do Senado, o republicano Orrin Hatch (Utah), que chamou a medida de "imprudente" e "sem alvo definido"

A Câmara de Comércio dos EUA, que apoiou os cortes de impostos de Trump e os esforços do seu governo para reduzir a regulamentação sobre as empresas, disse que "as tarifas são impostos, pura e simplesmente", que vão elevar o custo de produtos usados diariamente pelas famílias americanas. Além disso, "vão resultar em tarifas retaliatórias, que vão prejudicar mais os trabalhadores americanos", disse uma porta-voz da Câmara de Comércio.

Em 6 de julho, entrou em vigor a cobrança de tarifas de 25% sobre US$ 34 bilhões em produtos chineses. Esta foi a primeira vez que o governo Trump aplica tarifas diretamente contra a China, após meses de ameaças. Essa primeira rodada de tarifas cobre produtos chineses que vão de tratores agrícolas a máquinas-ferramenta e satélites de comunicações.

Os EUA também estão finalizando uma lista de US$ 16 bilhões em produtos chineses que serão taxados em 25%, cujas audiências públicas se encerram neste mês. Pequim promete retaliar as tarifas dos EUA na mesma escala de valor.

Os mercados financeiros reagiram negativamente às novas tarifas de Trump. Logo após o anúncio, em Nova York, os índices futuros do Dow Jones Industrial, S&P 500 e Nasdaq passaram a apontar para uma abertura em baixa no pregão de hoje. Na Ásia, a Bolsa de Tóquio abriu em baixa 0,9%, com o iene se fortalecendo frente ao dólar. Na Coreia do Sul, a Bolsa de Seul também iniciou o pregão em queda, de 0,7%.

Ontem à noite, pouco antes do fechamento desta edição, as bolsas na Ásia aprofundavam as perdas. O índice Kospi, referencial da Bolsa de Seul, estava em queda de 1,32%, para 2.263,97 pontos. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, caía 1,31%, para 21.906,91 pontos. O índice S&P/ASX200, referência da Bolsa da Austrália, estava em queda de 0,71%, para 6.213,70 pontos.