Exterior e realização de lucros fazem Ibovespa fechar em queda

Publicado em 07/11/2018 por Valor Online

SÃO PAULO  -  O Ibovespa acentuou o movimento de queda perto do fim dos negócios, em linha com o movimento no exterior, que vem forçando o investidor a adotar um tom de maior cautela contra emergentes. Com os investidores aproveitando o contexto externo mais negativo para embolsar lucros, o índice se afastou das máximas e voltou à faixa dos 88 mil pontos.

O Ibovespa encerrou em baixa de 1,04%, aos 88.669 pontos, depois de se aproximar dos 87 mil pontos na mínima do dia (88.066 pontos). O movimento mais uma vez foi marcado por giro forte, de R$ 11,9 bilhões.

O ambiente lá fora faz contraste com a cena doméstica, onde a confiança no novo governo ainda garante apostas na renda variável. No entanto, o mercado começa a dosar o aumento da exposição às ações, à espera dos próximos movimento do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), sobretudo em relação aos esforços em torno das reformas fiscais.

Segundo operadores, diversos fundos hoje aproveitaram a disparada recente das ações para embolsar lucros, principalmente nas ações que fornecem justificativa para isso - caso da Petrobras, após um balanço mais fraco do que o esperado, e Magazine Luiza, papel considerado caro.

Com a cautela que ainda predomina no exterior, os estrangeiros começaram novembro dando sequência às vendas na bolsa - no primeiro pregão de novembro, eles retiraram R$ 258 milhões da B3. Mas mesmo os fundos locais acabam buscando algum ajuste após a alta recente e após terem sido os responsáveis por alçar o Ibovespa aos 89 mil pontos.

Em relatório, o Itaú BBA nota que o iShares MSCI Brazil Capped, maior fundo de índice de ações brasileiras negociado em Nova York, teve um desempenho muito melhor do que o índice atrelado a emergentes, o EEM: subiu 19% em outubro, contra queda de 9% do outro indicador.

"É a melhor performance desde que o ETF de emergentes começou a ser negociado, em 2003", diz o relatório do banco. "E o desempenho aconteceu apesar da saída de R$ 6,2 bilhões dos estrangeiros [no mês passado]."

Para o banco, a justificativa para um panorama tão positivo é a situação doméstica, inclusive em relação aos resultados das companhias abertas: 46% dos resultados já divulgados foram considerados positivos pelos analistas do Itaú BBA.

"Embolsar ganho agora é algo positivo, mas não muda a perspectiva que o mercado tem para o novo governo, que continua rodeada de otimismo", diz um operador.

A Petrobras ON caiu 2,58%, enquanto a Petrobras PN cedeu 3,44%, entre os destaques negativos do dia. A confiança na empresa continua grande, em especial com a mudança no governo, mas os investidores aproveitam o resultado abaixo do esperado para ajustar posição no papel. A estatal entregou um lucro líquido de R$ 6,64 bilhões no terceiro trimestre.

Já Magazine Luiza liderou as perdas do Ibovespa hoje porque, pela primeira vez, os resultados da companhia não devem permitir revisões de estimativas para cima. Isso faz com que o preço precise cair para adequar o múltiplo - a relação entre preço e lucro por ação - ao que é considerado o "valor justo" da empresa.

Segundo um analista, quando um papel está sendo negociado com múltiplo alto, é preciso que as estimativas continuem subindo. Como não deve haver revisão de estimativas para cima após o resultado trimestral, a ON da companhia recuou 8,36% hoje, a R$ 158,50 - no ano, a alta do papel ainda é de 98,1%.