O Fabuloso Zé Rodrix: nome da biografia do músico brasileiro

Publicado em 12/01/2018 por Bem Paraná

Zé Rodrix foi um multi-artista e tinha o dom de estar em muitos lugares ao mesmo tempo. Na banda Momento4, aos 19 anos, acompanhou Edu Lobo na vitória de Ponteio, no Festival de Record de 1967. Com a lendária Som Imaginário, criada inicialmente para acompanhar Milton Nascimento, foi protagonista do flerte da MPB com o rock progressivo. No trio com Sá e Guarabyra fundou o estilo que seria chamado de Rock Rural. Com a gravação de Elis de Casa no Campo, estourou em todas as paradas e teve uma carreira solo de enorme sucesso. Num dado momento, como se entenderá nas páginas do livro, parou tudo. Houve muitos Zé Rodrix, antes e depois disso. Compositor, multi-instrumentista, publicitário, escritor, ator, gozador, maçon, cozinheiro, era na verdade um grande inventor de histórias - um "fabuloso fabulista" que tem agora sua história revelada na biografia escrita por Toninho Vaz e publicada em coedição pela Editora Olhares e Caravela Filmes.

A publicação faz um check-up geral na trajetória produtiva, provocadora e cativante do artista. A sólida formação musical - atributo que moldou sua carreira - teve início ao receber as primeiras noções musicais de seu pai. No Conservatório Musical do Rio de Janeiro e na Escola Nacional de Música, estudou teoria musical, harmonia e contraponto, piano, acordeom, flauta, saxofone e trompete. A trajetória artística se iniciou no Colégio de Aplicação da UFRJ, onde fundou um grupo de teatro no qual exercia as funções de ator, diretor, cenógrafo e compositor de trilhas sonoras. O livro conta ainda, com detalhes, os desdobramentos dessa empreitada na primeira atividade artística profissional, como ator, ainda na época escolar, quando se tornou um dos mais ativos membros do emergente Teatro Tablado, no Rio.

A versatilidade musical tornou Zé Rodrix uma figura basilar nos grupos de que participou. No Momento4, na Som Imaginário, no trio Sá, Rodrix e Guarabyra, ele compunha e tocava instrumentos diversos. A consagração na música se deu com a gravação de Casa no Campo por Elis Regina, em um compacto lançado pouco depois dele ganhar com a mesma música o IV Festival de Música Popular Brasileira de Juiz de Fora, em 1968. A versão de Elis também apareceria em seu LP do ano seguinte, 1972, e foi posteriormente apontada pela edição brasileira da revista Rolling Stone como a 93a Música Brasileira Mais Importante de Todos Os Tempos.

Num dado momento, Zé Rodrix parou tudo. Se retirou do mercado fonográfico por decisão própria, direcionou seu talento para o jingle publicitário (e mil projetos mais) e foi um dos grandes do Brasil nessa seara. Ainda ingressou na maçonaria e escreveu uma trilogia de fôlego, onde misturou, em 1.400 páginas, fatos reais e ficção, abordando a fundação da maçonaria na época do Rei Salomão, ano 1.000 a.C. Demonstrou também uma afiada verve literária.

Isso tudo seria pouco para a personalidade inquieta desse artista brasileiro, que dá o tom do livro. Craque na criação de jingles, conquistou importantes premiações internacionais através da sua produtora A Voz do Brasil. E manteve a atividade de arranjador, produtor e compositor de trilhas, coisas do arco da velha como o inesquecível solo de teclado Moog (e arranjo) da música Fala, do grupo Secos e Molhados. Integrou ainda o grupo Joelho de Porco, ícone do estilo punk-rock-humor brasileiro, e participou do Festival dos Festivais em 1985, ganhando o prêmio de melhor letra pela música "A Última Voz do Brasil".

A biografia do multiartista, foi inspiração para a criação do documentário O fabuloso Zé Rodrix, pela Caravela Filmes, com direção de Leonardo Cortez e roteiro do autor Toninho Vaz. Em finalização, o filme revela os principais momentos da vida e da carreira do músico através de depoimento de familiares, amigos e colegas de profissão.

Sobre autor

Toninho Vaz, nome artístico de Antônio Carlos Martins Vaz (Curitiba, Paraná, 2 de outubro de 1947), é um jornalista, roteirista, escritor e biógrafo brasileiro. Publicou seus primeiros textos - sobre cinema - como colaborador do suplemento cultural do Diário do Paraná, aos 21 anos. No Rio de Janeiro foi repórter da revista Isto É e colaborador da Revista de Domingo, do Jornal do Brasil. Publicou artigos e reportagens em diversas revistas nacionais: Fatos & Fotos, Manchete, Pasquim e jornal Nicolau. Na televisão, atuou no Jornal da Band e como editor de texto na Rede Globo de Televisão em telejornais e programas semanais como: Jornal Nacional, Globo Esporte e Fantástico, onde atuou por mais de cinco anos. Foi editor e produtor na rede norte-americana CBS Television. Editor e redator em várias publicações da Fundação Darcy Ribeiro, e é autor das biografias de Paulo Leminski, Torquato Neto, Darcy Ribeiro, Santa Edwiges e Luiz Severiano Ribeiro. Publicou em 2011, depois de três anos de pesquisa, o livro Solar da Fossa, um território de liberdade, impertinências, ideias e ousadias, com prefácio de Ruy Castro, edição esgotada.